20 anos depois, abriu a primeira sala de consumo assistido do país

Situada na Quinta do Loureiro, bairro de realojamento a social construído no Vale do Alcântara, a sala de consumo assistido, pioneira no país, recebe mais de 120 utentes diariamente, para consumo assistido intravenoso e fumável.
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Fotografia ilustrativa / Nico Franz via Pixabay

Avenida de Ceuta, 300 metros em direção a Praça de Espanha, uma curva à direita e entramos na Quinta do Loureiro: bairro de realojamento social construído na colina das ruínas cimentadas e humanas que foram o Casal Ventoso, há mais de vinte anos. A primeira sala de consumo assistido do país abriu aqui portas a 18 de Maio de 2021 — 20 anos depois da entrada em vigor da política de descriminalização das drogas. Mas nem tudo mudou.

Entramos, naquela curva, numa realidade paralela. A penumbra ténue do sol, ainda baixo na retaguarda, que os prédios construídos em formato social característico, de cor rosada já esbatida, conferem à rua àquela hora da manhã, não disfarça o frenesim assustadiço, distinto e mais intenso do que antes da curva. Corpos encurvados caminham de mochila ou saco de plástico na mão. Débeis mas nervosos e velozes, determinados, dão início à primeira missão do dia: sabem do que precisam e para onde vão; e sabem, também, que o dia de amanha será igual e este cópia do último. Em todos a ressaca acorda com eles. 

Aqui, a esta hora — ainda não eram 8h — vende-se quase tudo. Param carros recentes nas bermas, também carrinhas brancas pequenas. Tudo se faz rápido, quem passa de carro provavelmente não repararia. Troca-se dinheiro por estupefacientes, heroína (aqui chamam-lhe castanha, cavalo ou ), cocaína e base de cocaína (crack, cozida no jargão: cocaína, crua, cozida numa mistura com bicarbonato de sódio ou amoníaco, tornando-se sólida e fumável). Vende-se de quase tudo e também se fazem encomendas: os artigos mais procurados são os aparelhos tecnológicos, PC’s, tabletes, telemóveis (é possível comprar um iphone por 10€), perfumes de marca italiana, rolex’s, óculos de sol, jóias, peças de automóvel e mota, mas também café em cápsulas ou quilos de picanha e bacalhau. “Amigo, aqui até devem haver armas nucleares, os americanos andam distraídos”, responde a um comentário um homem à entrada da sala de consumo assistido, primogénita no país, gerida pela associação Ares do Pinhal. São 9h30.

No interior da primeira sala de consumo assistido fixa do país, abrira há meia-hora – às 9h, muitas das pessoas do bazar de rua agora cirandam. Entre a sala de convívio de paredes espelhadas, em que se pode fumar (nos grandes cinzeiros, está com fita cola afixado um papel escrito a florescente com a palavra cinza – de onde os utilizadores do espaço a recolhem, para a usarem como base dos cachimbos, no consumo de crack), as cadeiras em frente à televisão ou os computadores com ligação à internet. E, em particular, entre o balcão de entrada na sala onde, após dar o nome, familiarmente e apressados entram para consumir, e o bar Conforto onde se dirigem antes alguns, para um café, um galão ou um sumo e uma sandes, que são facultados também a quem não é utente. 

“O estigma sobre o consumo ainda é muito forte mas sítios como este estão aqui precisamente para tentar mudar mentalidades, faltam agora muitos mais como este”

O espaço abriu portas a Maio de 2021 mas estava previsto para o primeiro trimestre de 2020, depois de uma proposta parlamentar do Bloco de Esquerda, aprovada apenas com o voto contra do CDS, que mantém a posição de há 20 anos. Roberta Reis, uma das responsáveis do centro, justifica o atraso com falta de “vontade política, não obrigatoriamente apenas pela questão pandémica. Ainda mais, tendo em conta que as salas de consumo estavam previstas na lei desde 2001, quando as pessoas do bairro foram, muitas, realojadas aqui”, explica-nos.

Com apenas cinco meses de existência a sala de consumos assistidos da Ares do Pinhal conta com quase 762 utentes inscritos e mais de 120 consumos diários. Destes, refere a responsável Roberta Reis, também psicóloga, 72% são referentes a consumos fumáveis exclusivamente (heroína e crack), 16% dizem respeito a consumos fumados e intravenosos, e os 12% restantes somente intravenosos. E se estes dados indiciam a prevalência do crack entre os utentes, Roberta contextualiza com ponderação “Apesar de um aumento substancial do consumo de cocaína, em particular crack, não podemos dizer que tenhamos um caso das proporções que a heroína teve antes da reabilitação do Casal Ventoso, e também convém referir que a heroína ainda é uma droga muito recorrente, demasiado, este número, 12%, embora hajam outros consumos intravenosos, como cocaína e benzodiazepinas, ainda é bastante preocupante”. 

A mesma abordagem ponderada e explicativa que repete em resposta à pergunta sobre se muitos desses consumidores são os antigos utilizadores do Casal Ventoso, antes da sua reabilitação. “Embora essa seja uma realidade, não podemos afirmar que a maioria pertença a esse grupo. A heroína nunca morreu – há muitos novos consumidores. Infelizmente, a reinserção social é o principal entrave à reabilitação destas pessoas. Muitos dos antigos frequentadores do Casal Ventoso nos programas de metadona, não tiveram oportunidades de trabalho ou mesmo familiares, e daí muitos recaíram. O estigma sobre o consumo ainda é muito forte mas, sítios como este, estão aqui precisamente para tentar mudar mentalidades, faltam agora muitos mais como este”, explica, Roberta Reis, aproveitando para acrescentar mais dados. Aqui as idades têm a média de 44: o mais velho tem 70 e o mais novo 21. Se a idade não parece ser determinante, Roberta aponta para uma condição tranversal a quase todos: “a grande maioria dos utentes vem de situações muito frágeis, muitos em situação de sem-abrigo e/ou doentes, outros vindos de contextos sociais e culturais fortemente desfavorecidos, por norma com um historial de consumos e consequências já muito acentuados”. 

Sobre a nacionalidade dos utentes do espaço, pode dizer-se que a maioria é portuguesa, tendo-se registado também a visita de alguns emigrantes, de férias de verão no país, “já utilizadores de salas de consumo vigiado existentes nos países da Europa onde trabalham e vivem, que nos dão feedback do funcionamento do espaço e são importantes para a melhoria do mesmo”.

A relação da sala de consumo com a vizinhança no bairro tem sido “super positiva e cooperante, este local é um exemplo onde o estigma é menor, precisamente pelo contexto social que o bairro conhece há muitos anos, as pessoas daqui, mesmo as mais idosas, têm uma noção de que esta é uma questão de saúde de pública, em primeiro lugar, e de saúde dos consumidores, em segundo, no sentido da adição ser um doença que tem tratamento, as pessoas que frequentam este local têm esse diagnóstico”. Conflitos entre utilizadores acontecem, e quezílias da rua, por vezes, entram dentro do espaço, potenciadas pelos estados de abstinência, “mas a polícia só teve de intervir muito pontualmente nestes casos. São por norma os próprios utentes, que acabam por sanar esses conflitos, que é normal acontecerem nestas condições”, refere a responsável.

Fazemos muitas vezes a comparação com a diabetes, em que os doentes têm de levar injeções de insulina, não o vamos estigmatizar, naturalmente. Na doença da adição temos de pensar da mesma forma.”

Mesmo após o realojamento, em 2001, o bairro continuou e continua a ser um dos principais focos de venda e consumo da cidade, que se atomizou por outros bairros periféricos de Lisboa: mas, aqui, ainda há tendas; ainda há, em cada esquina, acampamentos improvisados em que a venda e o consumo movimentam os dias e as noites. Roberta Reis refere que existe mais do que uma razão para que isso continue a acontecer mesmo após a abertura do espaço: em primeiro lugar, “a mudança de hábitos há muito enraizados é algo que leva o seu tempo”, depois existe o estigma social, interno e externo – também isso precisa de tempo, muitos preferem consumir “no seu buraco e outros têm vergonha de serem vistos a entrar aqui”, em particular quem injeta, mesmo que utilizem o espaço para recolher a parafernália de consumo intravenoso. Ainda, antevendo a principal queixa dos utentes, a responsável explica que a sala de consumo fumável é pequena para a grande procura (72% dos consumos), tendo capacidade para 6 pessoas, “chegam a estar 12 pessoas em fila de espera para entrar e, para quem conhece o craving (ressaca) destas substâncias, é para nós expectável que uma grande parte dessas pessoas não espere e acabe por consumir lá fora, mas já está perspetivada a demolição de uma parede para o aumento do aquário de fumáveis”.

A sala de consumo

O compartimento em forma de L recebe, todos os dias, mais de 120 utentes, entre os consumos assistidos de heroína e cocaína, injetáveis e fumados. “O consumo de benzodiazepinas é residual mas, entre heroína e cocaína não consigo dizer, são as duas, por norma os utentes consomem as duas, separadamente ou juntas – o speed ball é muito recorrente”, explica o enfermeiro Paulo Caldeira. Esta é uma mistura intravenosa ou inalada das duas substancias, muitas vezes utilizando-se benzodiazepinas em substituição do opiáceo.

A perna longa do L é um posto comprido separado em 8 guichés individuais, 4 de cada lado, cada um munido de uma caixa amarela, o repositório de seringas usadas, que serve para os consumos intravenosos; a outra direção é ocupada, na ponta, pelo gabinete de Paulo Caldeira e, no vértice, pelo aquário de consumos fumados. Cheio, cabem lá 6 pessoas, entre os que consomem crack através dos cachimbos de vidro fornecidos (estes são reutilizáveis por uma semana e depois substituídos), e heroína com prata e tubo, também eles fornecidos. A sala de consumo fumado está separado do gabinete do enfermeiro por um postigo, aberto e fechado rapidamente, por onde Paulo Caldeira vai passando os utensílios pedidos do interior, para que o fumo não contamine o exterior. 

“É essencial saber a substância, e a quantidade, pois as formas de atuar são diferentes, em caso de overdose, para a heroína, ou ataques cardíacos, em função do consumo de cocaína, ou complicações resultantes do consumo excessivo de benzodiazepinas”

Enquanto conversamos, levanta-se inúmeras vezes para dar a entrada, anotar a substância, quantidade e fornecer parafernália. É hora de ressaca, muito movimento, e Paulo explica-nos mais sobre a condição dos utentes do espaço. “Em termos de saúde mental, encontramos muitos casos graves: esquizofrenias, psicoses e estados maníacos totalmente descompensadas, isso é comum”, explica. “O consumo de substâncias está muitas vezes correlacionado com uma auto-medicação, para mitigar sintomas ou, noutros casos, os consumos surgem como potenciadores desses mesmos sintomas”. Já quanto aos problemas físicos mais comuns, esses, continuam essencialmente relacionados com o consumo de heroína administrada por via intravenosa. O enfermeiro mostra uma galeria de fotos no seu telemóvel em que figuram fotos familiares com outras de chagas e postulas purulentas, que tem de documentar. 

Paulo Caldeira tem de saber quem, o quê e quanto se vai consumir. Trata todos por tu e pelo nome, sabe quais são os seus hábitos e o momento da vida que atravessam. Sabe se, por exemplo, alguém está num momento de recaída e, nesses casos, a preocupação da quantidade torna-se preponderante, “pois são esses os casos mais propícios a uma overdose, devido à desabituação. É essencial saber a substância, e a quantidade, pois as formas de atuar são diferentes, em caso de overdose, para a heroína, ou ataques cardíacos, em função do consumo de cocaína, ou complicações resultantes do consumo excessivo de benzodiazepinas”. Basta-lhe um olhar rápido para saber qual a substância e a quantidade trazida pelo utente, que é vendida sempre nas mesmas medidas, diz: “normalmente são quartas, às vezes meias, a linguagem de rua sai-lhe com naturalidade, essencial para estabelecer relações de confiança e empatia com os utentes. “Fazemos muitas vezes a comparação com a diabetes, em que os doentes têm de levar injeções de insulina, não o vamos estigmatizar, naturalmente. Na doença da adição temos de pensar da mesma forma. Não faz sentido estigmatizar uma doença e muitos menos termos os consumos a céu aberto e sem condições de higiene, coisa que nunca imaginaríamos um diabético ter de fazer.”

“O dealer roubou-me! Levou-me a alma! Raios parta o dealer!”

O único consumidor na sala de intravenosos coloca um biombo a protegê-lo da minha presença, confidencia Paulo Caldeira. Porque “aquele consumidor não injeta na virilha”, acrescenta. Carlos entra na sala saudoso, cumprimenta Paulo e recebe o que recebeu ontem, pela mesma hora, mostrando automaticamente a quantidade. Traz consigo apenas a heroína. Senta-se na cadeira de um dos guichés, e abre o plástico dos utensílios fornecidos para o consumo intravenoso: seringa, garrote, água destilada, ácido cítrico, uma colher. O sangue invade o cilindro; prime o êmbolo. Carlos não acusa o golpe. Muitos anos de biseis a perfurarem-lhe a epiderme: 60 de idade, mais de 40 de consumos. 

“O crack foi sendo introduzido em Portugal, em pedra fumável, nos últimos anos, desde 2014 ou 2015. Os dealers que vendiam heroína começaram a ter também o crack e ofereciam amostras aos consumidores de heroína, o que criou muitos dos atuais consumidores das duas substâncias, que são uma maioria”

“Comecei com haxixe. E depois aconteceu uma coisa muito estranha: os mesmos gajos que nos vendiam o haxixe, deixaram de o ter, mas tinham castanha, nós naquela altura não tínhamos informação nenhuma, experimentamos, muitos desses dealers até nos davam para experimentar porque sabiam que íamos ficar dependentes”. O alegado golpe de marketing da crise do haxixe é sobejamente conhecido e falado de norte a sul do país.

Também Paulo Caldeira, nos fala do marketing do mundo das drogas, quando questionado sobre o aumento do consumo de crack em Portugal: “Portugal tem um contexto histórico de abuso de heroína, a cocaína foi uma droga de elites durante muito tempo. Não havia crack, quem queria consumir tinha de ter conhecimento para transformar a cocaína em pó em pedra, com bicarbonato ou amoníaco, para puder fumar. O crack foi sendo introduzido em Portugal, em pedra fumável, nos últimos anos, desde 2014 ou 2015. Os dealers que vendiam heroína começaram a ter também o crack e ofereciam amostras aos consumidores de heroína, o que criou muitos dos atuais consumidores das duas substâncias, que são uma maioria”.

Carlos consome as duas por via intravenosa e também frequenta as carrinhas da metadona com quantidade de baixo limiar, usada em doentes em reabilitação ou, como Carlos, em recaída: mistura química frequente na Quinta do Loureiro, onde novamente entra a questão levantada por Roberta Reis: a reinserção na sociedade após a desabituação de adições. “Eu, tem sido um entre e sai de clínicas, desde meados de noventas, até hoje”. Uma grande maioria dos consumidores com quem falámos refere a mesma experiência, nenhum desdenhou dos métodos dos tratamentos que tiveram, mas todos falam da falta de oportunidades de trabalho e do estigma. Mas há trabalho nos ambientes que conhecem, o submundo do crime e dos esquemas chega mais rápido e facilmente a estas pessoas. 

“Isto não é o casal mas ainda é um super-mercado”

Já cá fora observo Luana entrar e dirigir-se ao balcão de entrada da sala de consumo. Vestido branco de verão e sandálias brancas, pele morena e cabelo loiro; ao longe, passaria por uma trabalhadora daquele local. Pergunto-lhe se vai utilizar o espaço, “também sou consumidora” diz, e prontifica-se a uma entrevista, falando engajada e rapidamente, refere que não demorará porque só vai buscar o cachimbo, explicando já cá fora que não gosta do cheiro a heroína, dando imediatamente nota “para fazerem uma sala para fumar heroína e outra para fumar crack”. Diz que prefere fumar na sua casa que, neste momento, é a carrinha, para onde nos dirigimos. Depois de nos sentarmos, diz: “eu sou uma tia de cascais reformada, vivi uma vida de princesa, agora estou mais numa de natureza”, referindo-se à vida na carrinha por escolha, bem como à decoração hippie. 

Luana é uma adita diferente da maioria que frequenta a sala de consumo assistido. “Porque tenho dinheiro”, refere mais que uma vez durante a conversa, quase como justificação por diferentes motivos, um deles nunca ter sido julgada por nenhum delito. Tem 45 anos, é divorciada recente e tem 3 filhos. Luana tem uma vida sem privações materiais, dos pais queixa-se do “sindrome de filha do meio”, já o ex-marido põe-no num pedestal comovente. “Ele não estava ao meu lado, estava à minha frente a puxar-me, durante 20 anos”, vocifera de olhos húmidos. Também ela tem saltitado de tratamento em recaída durante anos, até ao seu recente divórcio, desde o qual que se encontra numa recaída longa e alucinante. O consumo de crack proporciona dias de intensa atividade e noite sucessivas em claro. Nunca injetou nada, nunca experimentou heroína, a cocaína sempre foi a sua droga de eleição. Experimentou crack há mais de 20 anos, em Madrid, e ficou dependente até ir para a primeira clínica. Depois, “o meu diabinho convenceu-me que cheirar não havia problema, e comecei a cheirar em saídas, depois já era durante a semana, depois já era todos os dias”. Casada e com filhos, o seu consumo e tratamentos sucessivos começaram a ser o elefante na sala. Até mais um tratamento, este na Tailândia. 

“o meu diabinho convenceu-me que cheirar não havia problema, e comecei a cheirar em saídas, depois já era durante a semana, depois já era todos os dias”

Luana fala enquanto fuma crack, usa um cigarro apenas para lhe retirar a cinza e colocar no cachimbo, onde, por cima, pousa a pedra branca, o cachimbo enevoa-se, vai da euforia à depressão muito rápido, como é o seu discurso e pensamento: torrenciais. Cheira a amoníaco, preocupa-se: “podes ficar com a broa”, e ventila mais a van. Apesar dos erros, confessa-se “uma mãe diferente daquela que eu tive” e orgulha-se dos filhos, já todos adolescentes, nunca terem tido problemas com drogas. “A partir de 2014, foi sempre a cozida. Foi a partir dessa altura que começou a haver pedra já cozida à venda, e é muito mais barato que a branca. Anda tudo agarrado à cozida”, conta Luana, referindo que foi mesmo ali, na Quinta do Loureiro, que recaiu, e, desde esse ano, até ao dia em que falávamos, o crack tem instrumentalizado os seus dias e noites.

15h30. Desde a estadia na carrinha de Luana, que estacionou umas ruas acima da sala de consumo assistido, reparo no movimento constante, da janela, de homens e mulheres com sinais de consumo, e também crianças que regressam da escola. Subo mais pelo bairro e, dali de cima, é possível observar vários focos de consumo a céu aberto, limpam-se braços, acendem-se isqueiros. Os montes que ladeiam a estrada estão repletos de invólucros da parafernália de consumo intravenoso distribuído pelas várias associações que trabalham naquele local, vêm-se poucas seringas, no entanto, que são usadas para trocar por novas junto das equipas de rua ou na sala de consumo. Há edifícios abandonados na ainda mal afamada meia laranja, onde funcionava o ‘centro de tráfico’ do Casal Ventoso, usados como centro de uso e abrigo para muitos consumidores, hoje em dia. No caminho de regresso, contabilizo quatro tendas, duas em cada local, e o mesmo frenesim de pessoas apressadas, transações, injeções e bafos de crack e heroína.

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  • Individuo propenso a curiosidades várias que gosto de escrever, amante de literatura, música e história. Sensível e atento às questões sociais e comunitárias do nosso tempo (e de outros tempos também).

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