“Façam a Amazon pagar”: movimento alerta para más práticas da gigante do online

Durante a pandemia, Jeff Bezos acrescentou à sua soma pessoal cerca de 22 mil milhões, fazendo-a subir até aos 200 mil milhões de dólares, um recorde em termos históricos.

Durante a pandemia de Covid-19, a nota predominante nas conversas sobre economia e finanças apontava no sentido descendente. O senso comum assume que vem aí mais uma crise grave e que todos vamos sair a perder financeiramente. Contudo, tal como é comum noutros momentos de crise, este todos não representa mais do que uma grande maioria. No lado oposto da tabela de rendimentos, a história é outra; e a prová-lo está Jeff Bezos, o homem que durante a pandemia acrescentou à sua soma pessoal cerca de 22 mil milhões, fazendo-a subir até aos 200 mil milhões de dólares, um recorde em termos históricos.

Ao mesmo tempo que a fortuna de Bezos subia, surgiam também reclamações vindas dos trabalhadores das suas fábricas – trabalhadores de primeira linha, considerados essenciais mas sujeitos a fracas condições de trabalho, que de uma qualquer parte do mundo servem quem, noutra parte, deseje fazer uma compra online naquela que é a gigante das vendas online (não só na sua plataforma principal mas através das suas empresas subsidiárias como a Book Depository, por exemplo).

Por tudo isso, e como forma de assinalar uma Black Friday diferente, sindicatos de trabalhadores dos armazéns da Amazon, Amazon Workers International, o sindicato global de trabalhadores UNI Global Union e o partido global Progressive International, em conjunto com dezenas de outras associações (como defensoras dos direito digitais como a Algorithm Watch, do ambiente como a Greenpeace, e a Federação Internacional de Jornalistas), lançaram a campanha Make Amazon Pay. A principal demanda deste grupo é pedir que a Amazon pague impostos justos face ao seu volume de negócios mas a mensagem não se fica por aí.

Entre as reinvindicações que podem ser encontradas num PDF no site, a organização pede a melhoria das condições de trabalho dos trabalhadores da Amazon, especialmente dos trabalhadores em armazém, segurança para os trabalhadores, respeito pelos direitos universais e uma operação mais sustentável – o grupo alerta para o facto de a pegada carbónica da Amazon já corresponder a 2/3 dos países do mundo.

O ponto de ‘devolver’ à sociedade acima mencionado em referência aos impostos, de resto, não se esgota nessa exigência de que a empresa pague impostos justos nos estados em que opera. Para além disso, exige-se também que a Amazon abandone práticas anti-concorrenciais, como as que têm vindo a lume recentemente, nomeadamente denunciando que trabalhadores da Amazon, responsáveis por desenvolvimento de produtos, acedem indevidamente a estatísticas de outros vendedores que usam a plataforma.

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