SafeMask: comércio online num mundo globalizado e em pânico

Em Abril, o BuzzFeed News revelou uma história impressionante sobre máscaras vendidas online, que envolve milhares de milhões de e-mail enviados, empresas espalhadas pelo mundo, um cidadão português e muitos clientes insatisfeitos.
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  • Miguel Melo estudou Relações Internacionais na Universidade do Minho e mais recentemente na Universidade de Tallinn na Estónia, onde vive correntemente. Isso é o resultado de uma vida passada numa atmosfera internacional e da presença constante em organizações não governamentais. Os tempos livres são passados com duas obsessões: animação (especialmente japonesa) e música (manifestamente pesada). Hoje trabalha numa empresa de tecnologia de vendas como consultor de parcerias digitais (como quem diz construir pontes entre plataformas online).

Imagem via Shifter

Escrevemos aqui há algum tempo que as crises abrem oportunidades para muitos e que a criatividade é essencial para resolver problemas. Em hackathons, maratonas de desenvolvimento como aquela que aconteceu na Estónia, procuram-se soluções e possibilidades para preparar o futuro. Empresários buscam a melhor forma de subsistir e na sua extensa maioria criar um negócio que responda às necessidades da população de uma forma consciente, legal e ética. De facto, podemos dizer que a criatividade e o espírito de iniciativa são super-poderes incríveis. Mas como em todas as histórias de banda desenhada, nem todos os super-poderes são usados da melhor maneira.

Uma empresa vendia máscaras protectoras contra a transmissão de vírus através de e-mail enviados em massa. Uma investigação do BuzzFeed News contém tudo o que mostra as inter-relações do mundo de hoje – um cidadão americano resolveu comprar uma máscara de protecção numa loja online porque toda a gente estava em pânico e a máscara garantia ter a certificação N95 (que não tinha). A máscara nunca chegou e após uma análise mais cuidada verificou-se que outras máscaras semelhantes custariam 0.75 dólares. Outro detalhe: havia 9,99 dólares de garantia de três anos, mas as máscaras são descartáveis, logo, induz à reutilização errada. Seguindo o rasto dos e-mails enviados sobre a SafeMask, encontrou-se o método.

Qual o método?

Segundo o BuzzFeed News, a partir da Estónia, uma empresa que curiosamente tem um português como proprietário, foi coordenado o envio de mil milhões de e-mail para listas de clientes, neste caso seguidores de web-sites relacionados com sectores conservadores e grupos de sobrevivencialistas dos Estados Unidos. Em alguns dos e-mail encontravam-se também bonés de apoio a Trump, licenças de armas de fogo ocultas e remédios.

O milionário Ricardo de Souza Coelho, com empresas nas Seychelles, Malta, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos e na Estónia, executa estratégias de marketing de afiliação, ou seja, manobras agressivas de promoção de produtos, coordenadas com outros vendedores online. Esta estratégia de marketing é usada por várias empresas mas as maiores empresas seguem um código de conduta. Por exemplo, os pesos pesados da indústria online Facebook, Google, Amazon e outras plataformas baniram o comércio de máscaras irregular, com governos dos Estados Unidos, Canadá e outros a proibirem a manipulação de preços para aumentos excessivos. Todos os pedidos de reembolso deveriam ser enviados através do envio do produto de volta para empresas com morada fictícia na Estónia, Eslováquia, Malta, e China. No artigo é revelado que a matrícula do Ferrari do proprietário da empresa ser 404 LOL, ironia das ironias.

Após o contacto do BuzzFeed News, Ricardo Coelho garantiu que não tinha conhecimento deste processo e que o aumento exponencial dos preços foi executado por afiliados. Após o contacto, o site da SafeMask foi retirado e agora direcciona para o site Max Deals e os preços caíram exponencialmente.

Conclusão, o truque é não entrar em pânico

O artigo original mostra todo o rasto a seguir e encontra vários outros pontos onde falta o controlo de proteção do consumidor. A verdade é que em períodos de crise haverá sempre a tentativa de manipulação dos sentimentos de insegurança das populações. Populações mais vulneráveis ao medo e desconectadas são os alvos ideais para vendas agressivas e mensagens de urgência.
O número de esquemas possíveis é imenso. Já em Abril, no Shifter falamos de domain spoofing, e, em Março, o Público alertava para diferentes formas de fraude online. Também a Europol revelou um relatório mais técnico sobre os perigos do momento.

Num tempo em que o imediatismo do mundo online nos impele a tomar decisões em poucos segundos, o melhor é respirar fundo. É necessário promover atenção e vigilância e avisar que quando uma coisa parece boa demais para ser verdade, provavelmente não o é.

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  • Miguel Melo estudou Relações Internacionais na Universidade do Minho e mais recentemente na Universidade de Tallinn na Estónia, onde vive correntemente. Isso é o resultado de uma vida passada numa atmosfera internacional e da presença constante em organizações não governamentais. Os tempos livres são passados com duas obsessões: animação (especialmente japonesa) e música (manifestamente pesada). Hoje trabalha numa empresa de tecnologia de vendas como consultor de parcerias digitais (como quem diz construir pontes entre plataformas online).

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  • Miguel Melo estudou Relações Internacionais na Universidade do Minho e mais recentemente na Universidade de Tallinn na Estónia, onde vive correntemente. Isso é o resultado de uma vida passada numa atmosfera internacional e da presença constante em organizações não governamentais. Os tempos livres são passados com duas obsessões: animação (especialmente japonesa) e música (manifestamente pesada). Hoje trabalha numa empresa de tecnologia de vendas como consultor de parcerias digitais (como quem diz construir pontes entre plataformas online).

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