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Venezuelanos sem acesso a software proprietário graças a Trump

Este é um caso paradigmático da importância do software livre e, por outro lado, de como o software proprietário pode estar sujeito a influências políticas.
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Foto de Szabo Viktor via Unsplash

Falamos muitas vezes de software livre mas raramente temos na ordem do dia uma história que nos permita ilustrar com sentido a importância que esta temática tem. Hoje cruzamo-nos com uma notícia vinda da Venezuela e relacionada com as sanções económicas impostas pelo regime dos Estados Unidos da América.

Esta segunda-feira, a Adobe anunciou planos para desactivar todas as contas registadas naquele país da América do Sul, em resposta às sanções impostas por Trump. Deste modo, os utilizadores venezuelanos de programas da suite Creative Cloud – que contempla desde programas de edição de imagem como o Photoshop a programas de edição de vídeo como o Premiere – deixarão de ter uma opção legal para os utilizar.

Este é um caso paradigmático da importância do software livre e, por outro lado, de como o software proprietário pode estar sujeito a influências políticas. Convém lembrar que os programas da Adobe funcionam por subscrição – o utilizador deve ter uma conta registada na Adobe para poder utilizar correctamente as aplicações da Creative Cloud, o que faz com que a proibição se estenda mesmo àqueles que tentassem comprar o software noutro país.

O que está em causa?

Prevê-se que esta medida entre em vigor a partir de dia 28 de Outubro mas as críticas já se começaram a fazer ouvir. Entre os designers venezuelanos, já há quem partilhe nas redes sociais formas de piratear estes que são os programas mais usados por profissionais da área criativa, alegando que esta é uma questão de vida ou de morte para quem depende da profissão para se sustentar.

Noutra perspectiva, este tipo de sanções também estão a despertar uma onda crítica que questiona a eficiência de medidas deste género, uma vez que atacam directamente o tecido social do país.

As vantagens do livre

Recorde-se que uma alternativa perante uma proibição deste género é a opção por software livre como o Gimp, ou o Darktable, que garante a liberdade dos utilizadores para utilizar um programa em qualquer circunstância em que este se encontre, para além de o poder modificar e redistribuir. O software proprietário, por sua vez, é mais um produto comercial sujeito às regras de mercado e a um universo onde guerrinhas políticas como esta podem ser cada vez mais comuns.

A agravar a situação está o monopólio criado por estas empresas em torno dos seus serviços, fazendo escassear as alternativas e a capacidade dos utilizadores para as utilizar. No caso particular do design, destaque-se a competência de software como Inkscape ou Gimp para desempenho de algumas das principais tarefas – aplicações que só não são tão conhecidas por não despenderem de avultadas quantias para investimento em divulgação e marketing.

https://shifter.sapo.pt/2019/04/software-livre-gratuito/

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  • O João Gabriel Ribeiro é Co-Fundador e Director do Shifter. Assume-se como auto-didacta obsessivo e procura as raízes de outros temas de interesse como design, tecnologia e novos media.

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