Um mapa de caloteiros é a última app bizarra a vir da China

Com este método, um tribunal chinês quer fazer com que qualquer cidadão possa denunciar outro que esteja endividado mas tenha aparentemente capacidade de liquidar as suas dividas.
2 minutos de leitura
Screenshot via Daily China

Se a China é todo o mundo novo difícil de compreender à distância, a internet a que neste país têm acesso é tanto ou mais complexo. Contra a habitual troca de informação entre fronteiras, erguem-se as firewalls impostas pelo regime chinês e a barreira da língua – pior ainda, do alfabeto. 

Já aqui abordámos o universo das aplicações criadas pelo partido comunista para manter os seus militantes em linha; há também o já conhecido sistema de crédito social e os igualmente conhecidos filtros de censura do WeChat (semelhantes aos que podem estar a ser pensados para a Europa). Agora a publicação chinesa Daily China dá conta de mais uma invenção tecnologia no mínimo intrigante. 

A proposta vem de um tribunal da província de Heibei, o Higher People’s Court of Hebei’s. Em consideração está a disponibilização aos cidadãos da província de uma aplicação que localiza os devedores nas suas proximidades. 

A aplicação, que funciona como complemento do WeChat – uma espécie de “WhatsApp/Facebook chinês” – integra um mapa que sinaliza num raio de 500 metros as pessoas que tenham dívidas registadas a outras, junto com pequena lista com informações pessoais. 

A ideia é (vejam se não vos lembra nada) fazer com que os cidadãos possam controlar-se uns aos outros, tendo em conta os seus bens visíveis. Com este método, o tribunal de Heibei quer fazer com que qualquer cidadão possa denunciar outro que esteja endividado mas tenha aparentemente capacidade de liquidar as suas dividas.

A premissa inerente ao projecto já tinha sido badalada em 2017, com o intuito de alimentar o sistema de crédito social implementado pelos chineses. Segundo a imprensa internacional, a plataforma será alimentada e gerida pelos órgãos informativos locais com base na informação fornecida pelo tribunal.

Da mesma província chinesa já no ano passado tinham surgido notícias intrigantes relacionadas com devedores. Nesse caso a cara dos devedores terá sido utilizada num vídeo “promocional” que foi exibido antes do filme.

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