Filtro fotográfico no OnePlus 8 Pro permite ver através de superfícies… e parece não ser o único

Entre os testes feitos, destaque para o facto de ser possível ver para além de algumas roupas, um exemplo paradigmático das complicações de privacidade que um efeito deste tipo pode gerar.
Imagem via Unbox Therapy

Se há categoria de inovação onde ano após ano somos surpreendidos por avanços que nos parecem, desculpem a expressão, estapafúrdios, essa categoria é a das câmaras em smartphones. Primeiro foi a corrida à quantidade, para ver quem equipava um telemóvel só com o maior número de câmaras, depois a forma de integrar uma câmara frontal sem estragar o desenho do equipamento e garantindo máxima qualidade, e agora surgem novas possibilidades na interação entre hardware e software. Há quem diga que o seu sistema de processamento de imagens garante uma maior qualidade mas outros fabricantes escolhem usos alternativos. O OnePlus 8 Pro é um desses casos, introduzindo uma funcionalidade que se assemelha à visão Raio X.

Comecemos por debelar a ambiguidade, o efeito não é propriamente visão raio-x, uma vez que o hardware do telemóvel seria incapaz de produzir uma imagem com estas características. Em vez disso trata-se de uma captação de imagem feita em complementaridade com o sensor de infravermelhos que através do cruzamento de informação permite ver através de algumas superfícies.

O efeito, que se encontra no menu da câmara com o nome Photochrom, ganha portanto este potencial de visão para além dos objectos quando apontado para superfícies pretas com uma espessura relativamente pequena. Entre os testes feitos, destaque para o facto de ser possível ver para além de algumas roupas, um exemplo paradigmático das complicações de privacidade que um efeito deste tipo pode gerar.

Os sensores infravermelhos, comuns por exemplo em câmaras de visão noturna ou em aparelhos utilizados por forças de segurança pública, captam radiação com uma frequência abaixo do que está no espectro do visível. E, tal como não são únicos no OnePlus 8 Pro, também esta funcionalidade parece não ser um exclusivo — os iPhones usam o mesmo tipo de sensor para uma optimização do Face ID e segundo testes realizados por um internauta conseguem uma performance semelhante na captação através de imagens através de superfície.

Com o avançar destas pequenas funcionalidades surgem novas questões sobre a sua utilidade e, sobretudo, sobre o seu respeito pelo outro e pelo espaço público. É certo que nem todos os materiais são penetráveis por este efeito mas a massificação de um aparelho com esta capacidade deve ser escrutinada pelo ambiente distópico que propõe. Se a ubiquidade dos aparelhos com câmara nos tornou a todos um meme em potência, um smartphone que “veja” para além da superfície pode tornar esses casos ainda mais ameaçadores da privacidade em público.

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