Festival do Nada: uma ideia da Chéquia para ajudar o sector cultural

Esta iniciativa pretende alertar para o lado sistémico da indústria artística onde para além de artistas importa apoiar técnicos e todo o pessoal responsável pela manutenção dos espaços.
Foto de Radek Grzybowski/via Unsplash

Com a pandemia a afectar grande parte do mundo e, concretamente, toda a Europa, surgem notícias sobre a forma como cada país e cada sector económico reage às condicionantes que lhe são impostas. Um dos sectores tradicionalmente mais frágeis é o da cultura; se na Alemanha o governo anunciou uma linha de apoio de 50 mil milhões de euros e em Portugal existem uma série de apoios e iniciativas que visam colmatar o custo de todos os eventos cancelados, da Chéquia surge uma ideia inusitada mas interessante.

Chama-se Festival do Nada 2020 (NIC2020) e, como o nome indica, é um festival com programação que na realidade não existe. A ideia partiu da responsável da cultura da cidade de Praga em parceria com a agência de eventos GoOut, e a ela juntaram-se uma série de locais acostumados a receber espetáculos de artistas locais e internacionais.

Os bilhetes variam entre os 75 cêntimos, para a plateia, e os 180€, para lugares VIPS, num espectáculo que nunca existirá. O evento decorrerá no dia 1 de Maio, dia em que na Chéquia se celebra o Dia do Amor. A ideia é simples de perceber, tão simples quanto qualquer crowdfunding e é a sua brutal honestidade que a torna especial.

Em vez de trazer espetáculos para o mundo digital sacrificando em muitos casos a qualidade e ignorando o carácter de emergência da situação, esta iniciativa assume a excepção e convida as pessoas a apoiarem directamente as instituições com que mais se relacionam. Para isso, cada “espectador” deve escolher o evento inexistente que quer frequentar – entre o Concerto de Ninguém e a Festa sobre Nada – definindo assim para quem reverte o seu apoio. Visto que os eventos não vão realmente acontecer a lotação é ilimitada e cada espectador pode (não) ir a vários eventos ao mesmo tempo.

Esta iniciativa pretende alertar para o lado sistémico da indústria artística onde, para além de artistas, importa apoiar técnicos e todo o pessoal responsável pela manutenção dos espaços.

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  • O João Gabriel Ribeiro é Co-Fundador e Director do Shifter. Assume-se como auto-didacta obsessivo e procura as raízes de outros temas de interesse como design, tecnologia e novos media.

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