A tecnologia pode ajudar a prever epidemias e uma empresa canadiana testou-o com o coronavírus

Um complexo sistema de análise cruza notícias em várias línguas, dados obtidos através de redes de partilha sobre doenças infecto-contagiosas e também informação relativa a voos.
3 minutos de leitura
Protegendo-se do coronavírus em Hong Kong (foto de Free To Use Sounds via Unsplash)

A 9 de Janeiro de 2020 a Organização Mundial de Saúde fazia soar os primeiros alarmes para o potencial epidémico de uma nova estirpe de coronavírus, proveniente da cidade de Wuhan, na China. Os primeiros casos de infecção por este vírus, que causa sintomas análogos a uma pneumonia, tinham sido detectados no final civil, a 31 de Dezembro, mas o veredicto fora anunciado mundialmente 10 dias depois pelas instituições responsáveis. Avisados antes desse timing foram os utilizadores de uma aplicação de monitorização de saúde canadiana, que através de inteligência artificial previu a disseminação da doença.

Foi logo no dia 31 de Dezembro que, segundo reporta a revista Wired, a aplicação BlueDot emitiu o alerta para os seus utilizadores. A aplicação usa um complexo sistema de análise que cruza notícias de media em várias línguas e informação obtida através de redes de partilha sobre doenças infecto-contagiosas.

A juntar a esta informação, o director executivo da empresa responsável pela BlueDot, Kamran Khan, acrescenta que a aplicação utiliza também informação relativa aos voos provenientes da zona de perigo, conseguindo assim antecipar possíveis linhas de contágio um pouco por todo o globo. Segundo Khan, apenas os dados publicados em redes sociais ficam de fora da análise por serem demasiado confusos.

Imagem via BlueDot

Khan trabalhara num hospital quando acontecera o surto de SARS (outra doença provocada por um vírus semelhante) e foi a partir dessa experiência que decidiu avançar para a BlueDot. A app utiliza processamento de linguagem natural e outras técnicas de aprendizagem automática para analisar informação proveniente em 65 línguas.

Imagem via BlueDot

A empresa conta actualmente com 40 colaboradores para, como é dito na peça da Wired, distinguirem se as notícias se referem a um caso de Anthrax, por exemplo, ou a uma reunião de uma banda de heavy metal com o mesmo nome, podendo assim ir ajustando os algoritmos. Uma equipa de epidemiologistas verifica a informação obtida automaticamente para decidir se faz sentido e se deve então ser enviada para os clientes da empresa – instituições de saúde em vários países.

A BlueDot surgiu depois de Khan perceber a inércia dos Governos na detecção e aviso das populações sobre surtos como o do coronavírus e por, a quando da disseminação do SARS, ter percebido o quão importante era a detecção atempada do fenómeno. Esta pode não ser a forma final de um sistema de detecção de epidemias mas mostra como o cruzamento automatizado de informação pode acelerar esse processo.

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