EarthGang: a estreia na Dreamville tem sabor “agridoce”

Neste terceiro álbum, as ideias estão claras: um reportório de músicas cheias de cor e texturas que traduzem as visões vibrantes e excêntricas do duo de Atlanta, uma multiplicidade de formas e estilos que são acompanhadas por um novo e distinto cenário de produção.

Mirrorland é a nova aposta de EarthGang. O duo de Atlanta, Georgia, apresenta o terceiro álbum de estúdio e o primeiro pela editora de J.Cole, Dreamville.

Para dar a conhecer um pouco da história deste álbum temos de recuar no tempo, mais precisamente, até 2017 quando o nome foi revelado num artigo sobre o grupo. Três semanas depois Olu e WowGR8 (nomes artísticos), teriam um dos momentos mais altos da sua carreira sendo anunciados na editora Dreamville. A partir daí, o grupo foi tendo várias vitórias, com o lançamento de Rags, Robots and Royalty, uma trilogia com alguns bangersvibes excêntricas e eloquentes que foram criando expectativa em relação ao seu futuro.

Em Mirrorland a versatilidade do grupo continua a fazer-se sentir e resulta num álbum que se pode definir como altamente contemporâneo e representativo dos tempos que vivemos. O trabalho do duo faz parecer que estamos num musical, onde não são impostos limites à nossa imaginação. Mirrorland é, sem dúvida, um marco na carreira do grupo e mais uma prova da inesgotável magia que “paira” sobre Atlanta – uma fábrica de talentos que vai de Childish Gambino, a 21 Savage, Playboi Carti ou Outkast. Estes últimos, os Outkast, são curiosamente apontados como “mentores” de EarthGang, havendo mesmo quem diga que o duo da nova escola pode seguir os passos que levaram Andre 3000 e Big Boi a conquistar um lugar na história do hip hop ou até mesmo a superar a genialidade do grupo.

Em Mirrorland, a diversidade de sons demarca o estilo de EarthGang, com músicas cheias de entrega, carisma e ricas em  conteúdo. Num momento estamos a ouvir sonoridades groovy como na música inicial “Lala Challenge”, e noutro debruçamo-nos sobre um clássico trap como “Bank”. Assim, torna-se quase impossível destacarmos a faixa mais bem conseguida; para além das que mencionámos anteriormente, Mirrorland tem vários momentos de destaque. Tanto nos invade e inspira com uma energia contangiante com “UP”,  testemunha a química quase flawless de Young Thug com o duo em “Proud of U”, como nos transporta mentalmente para um pôr do sol nas Caraíbas, acompanhado de uma “Tequila”, preparada em conjunto com T-Pain.

O ecletismo e o risco por que os Earthgang já são conhecidos está bem presente neste álbum e deixa claro o rumo que o grupo pretende tomar. O duo pode ser frequentemente comparado a Outkast, mas a direção que acabam por tomar fá-los diferir do estilo do grupo lendário. Nem Johnny Venus (Olu) nem Doctur Dot (WowGr8) são propriamente storytellers como os Outkast, mas também usam e abusam da liberdade criativa e da química entre si para se destacarem no panorama actual do hip hop.

Neste terceiro álbum, as ideias estão claras: um repertório de músicas cheias de cor e texturas que traduzem as visões vibrantes e excêntricas do duo de Atlanta, uma multiplicidade de formas e estilos que são acompanhadas por um novo e distinto cenário de produção. Mirrorland acaba por nos causar duas impressões: por um lado, sentimos que é criativo e bem executado; por outro, deixa um amargo de boca por saber a pouco; deixa algo a desejar que provavelmente terá de ficar para o próximo lançamento deste carismático duo.

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  • Licenciado em Comunicação Social na Universidade Católica Portuguesa e a tirar Mestrado em Internet e Novos Media, o Bernardo Pereira é atento ao mundo da informação. As suas paixões por escrever artigos e pelo mundo das Artes unem-se para nos dar regularmente opiniões e novidades fresquinhas sobre tudo o que se insere na nossa cultura. O seu interesse maior vai para a música, filmes e séries.

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