Feminismo Para Os 99%: o manifesto do novo feminismo, em 10 línguas

Apesar da tentativa de lançar no máximo de línguas em simultâneo, o português (de Portugal) não foi concretizado.
3 minutos de leitura

Feminism For The 99%, Femminismo Per Il 99%, Féminisme Pour Les 99%, Feminisme Per Al 99%, Feminism För De 99 Procenten, Feminismul Celor 99%. O nome varia consoante a edição e o país que se destina, mas o texto é o mesmo. Com tradução para dez línguas e edição simultânea em mais de uma dezena de países, Feminismo Para Os 99% é um livro que pretende desmistificar o conceito de feminismo perante o grande público.

Publicado no passado dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, a obra é escrita por três das principais organizadoras da Greve Internacional de Mulheres e pretende tornar-se numa peça de referência para a luta pela igualdade de género nos tempos que correm, abordando não apenas as questões mais comuns mas alargando o espectro a fenómenos como a precariedade laboral, habitacional ou as mudanças climáticas.

Como o próprio título indica, o livro pretende ser, de acordo com o espírito feminista, para todos e não somente para mulheres, contrariando preconceitos. A obra caracteriza-se por condensar a perspectiva feminista – igualitária – numa série de áreas dominantes da sociedade actual. Deste modo, as autoras procuram não só alargar o conceito que se tem do feminismo como redefinir o que este deve ser no século XXI – como se lê na síntese, aproximando-o do universo anti-racista, anti-capitalista e anti-homofóbico.

Mais: em vez de se debruçar sobre uma perspectiva estatística e de representatividade, Feminismo Para Os 99% procura repensar uma outra via para o feminismo, em que este inspira a reorganização social profunda: “O feminismo não deve começar – nem acabar – com as mulheres representadas no topo da sociedade. Deve começar com aquelas que estão no fundo e lutar pelo mundo que elas merecem”, lê-se na sinopse (tradução literal).

Cinzia Azzurra, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser, as autoras do livro, têm um um fundo académico que as terá ajudado a contextualizar e a antecipar a obra. Mais do que um livro panfletário e de causas, trata-se de uma reflexão teórica sobre os tempos e o papel do feminismo na sua mudança. Cinzia é professora universitária de filosofia na New School, autora de obras como A Wolf in the City. Tyranny and the Tyrant in Plato’s Republic e editora da conceituada revista Viewpoint. Tithi é professora universitária de história e editora de Social Reproduction Theory: Remapping Class, Recentering Oppression. Nancy Fraser é também ela professora de filosofia e política na New School e autora de obras como Scales of Justice: Reimagining Political Space in a Globalizing World (Polity, 2008); Capitalism: A Conversation in Critical Theory (Polity, 2018).

Apesar da tentativa de lançar no máximo de línguas em simultâneo, o português (de Portugal) não foi concretizado. Assim, para os leitores e leitoras portuguesas, as melhores opções serão a edição inglesa, da Verso Books, ou a brasileira, da editora Boitempo.

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