Twitter: o pássaro azul voa mas ainda pia fininho

O Twitter não apresentou prejuízos e revelou o número de utilizadores diários: 126 milhões de pessoas usam a plataforma diariamente.
Foto de Quote Catalog (quotecatalog.com) via Flickr

Enquanto os escândalos se sucedem e as desconfianças vão crescendo em relação ao Facebook, o Twitter tem-se mostrado mais resiliente.  Isto não quer dizer que a rede social do passáro azul não tenha os seus problemas, mas a estratégia de Jack Dorsey, o CEO, parece estar a resultar. Pelo menos financeiramente e, para já, enquanto a escala mediática se mantém menor.

Jack começou 2019 entre uma entrevista ao HuffPost e outra à Rolling Stone. Nas duas abordou os desafios actuais e futuros do Twitter, e falou sobre si e as críticas que lhe endereçaram. O 2019 de Jack continuou com bastante actividade e diálogo com a comunidade na sua conta pessoal de Twitter – como já nos habituou. O início de ano prosseguiu com o anúncio dos resultados financeiros da empresa relativos ao último trimestre de 2018 – com boas e más notícias.

Por pontos:

  • 2018 foi o primeiro ano em que o Twitter não apresentou prejuízos. No último trimestre de 2018 (Setembro-Dezembro), a empresa aumentou as receitas em 24% para 909 milhões de dólares; e voltou a registar lucros, desta vez de 255 milhões de dólares;
  • no conjunto de 2018, o Twitter registou receitas de 3 mil milhões, dos quais 1,2 mil milhões foram lucro;
  • o Twitter revelou pela primeira vez quantos utilizadores tem diariamente na plataforma: 126 milhões. Ou seja, 126 milhões de pessoas usam o Twitter todos os dias, mais 9% que no trimestre anterior. Por comparação, 1,52 mil milhões usam o Facebook diariamente e 186 milhões o Snapchat;
  • olhando para os números mensais, existem 321 milhões a utilizar o Twitter. É o valor mais baixo em dois anos e existiu um decréscimo, uma vez que no trimestre anterior o Twitter registava 326 milhões de utilizadores activos mensalmente. No final de 2017, tinha 330 milhões.

As notícias sobre os resultados financeiros do Twitter geraram um misto de reações como mostram os headlines: “Twitter’s Push for Healthier Discourse Lifts Revenue, Hurts User Growth”, escreve o Wall Street Journal; “Twitter Falls on Tepid Sales Forecast and Lackluster User Growth”, avança a Bloomberg; “Twitter keeps losing monthly users, so it’s going to stop sharing how many”, diz o The Verge. Certo é que as acções do Twitter baixaram 9,8% no dia do anúncio dos números na bolsa de Nova Iorque – foi a maior quebra num só dia desde 20 de Dezembro, conforme aponta a Bloomberg.

A justificar essa reacção accionista podem estar as previsões financeiras para o início de 2019, com o Twitter a esperar receitas entre os 715 e 775 milhões de euros, abaixo das projecções dos analistas e, claro, a diminuição no número de utilizadores mensais. Os lucros obtidos no final de 2018 podem não compensar o facto de o Twitter não conseguir captar a atenção de tantos utilizadores como o Facebook ou até o Snapchat – podendo optar por não o fazer, mantendo-se uma rede social de nicho e tentando encontrar por aí a sua sustentabilidade.

O Twitter tem vindo a tentar tornar a sua plataforma mais saudável ao longo dos meses recentes com a remoção de contas falsas e de agentes disseminadores de discurso de ódio, desinformação e interferência eleitoral — aliás, esta é uma das linhas que explica o decréscimo de contas activas mensalmente. Em comunicado, Jack disse que “2018 é a prova de que a nossa estratégia a longo prazo está a resultar”. É esperar para ver a sua operacionalização em 2019, um ano que com certeza trará muitos mais desafios ao voo do pássaro.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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