Amazon terá espiado vendedores para criar produtos concorrentes, alega investigação do WSJ

Foto de Nik Jay via Unsplash

Amazon terá espiado vendedores para criar produtos concorrentes, alega investigação do WSJ

Funcionários da Amazon terão acedido a dados de vendas dos vendedores que recorriam a esta plataforma para ajudar o gigante do ecommerce a desenvolver produtos concorrentes, de marca própria.

Além dos itens que a Amazon vende directamente na sua plataforma, há produtos no site da Amazon que são comercializados por terceiros. É o chamado Amazon Marketplace: por um valor mensal e uma fatia em comissões, a Amazon disponibiliza a sua plataforma a qualquer vendedor que queira usá-la para vender, beneficiando da vasta audiência e base de clientes de que a maior loja de comércio electrónico dispõe.

Contudo, uma investigação do Wall Street Journal (WSJ), divulgada esta semana, trouxe más notícias para quem depende do Marketplace. Funcionários da Amazon terão acedido a dados de vendas dos vendedores que recorriam a esta plataforma para ajudar o gigante do ecommerce a desenvolver produtos concorrentes, de marca própria. Por outras palavras, imaginando que a Amazon queria criar uma torradeira, a empresa foi olhar para terceiros que estavam a vender torradeiras na sua plataforma para extrair informação sobre as vendas e desenvolver uma melhor torradeira.

O WSJ falou com mais de 20 funcionários e analisou vários documentos que mostram que alegadamente a Amazon usa informação de vendedores terceiros para desenvolver os seus próprios produtos, apesar de a empresa dizer que não o faz. De acordo com fontes ouvidas na investigação, o uso desses dados é uma prática comum, discutida abertamente em reuniões, e as regras que a Amazon tem para o Marketplace não são aplicadas uniformemente. O jornal dá um exemplo: um funcionário tinha dados de um vendedor de acessórios automóvel, que através da Amazon tinha vendido 33 mil unidades em 12 meses, juntamente com o que a empresa tinha feito com as vendas desse comerciante; em Setembro do ano passado, a Amazon lançou produtos concorrentes. “Nós sabíamos que não podíamos”, disse um dos funcionários ao WSJ, que terá acedido a dados de terceiros no Marketplace. “Mas ao mesmo tempo, estávamos a fazer produtos com a marca Amazon e queríamos que eles vendessem.”

Ao The Verge, fonte da Amazon garantiu o seguinte: “Tal como outros retalhistas, olhamos para dados das vendas e da loja para dar aos clientes a melhor experiência possível. Contudo, proibimos estritamente os nossos funcionários de usar dados específicos e privados de um vendedor para determinar que categorias ou produtos de marca própria lançar. Embora não acreditemos que essas denúncias sejam precisas, levamos as alegações muito a sério e lançámos uma investigação interna.”

A Amazon diz que lançou uma investigação interna, até porque o assunto é especialmente grave para a empresa. Em Julho, a multinacional de Jeff Bezos garantiu no Congresso norte-americano que não usava dados de vendedores terceiros para benefício próprio e, por isso, em causa, poderá estar uma Amazon a mentir perante os congressistas. Nate Sutton, um dos advogados de topo do gigante do ecommerce, referiu que a empresa não usa dados de vendedores individuais para desenvolver os seus produtos, apenas dados agregados de múltiplos comerciantes.

A Amazon, à semelhança de outras grandes multinacionais norte-americanas como o Facebook, tem estado debaixo do olhar atendo de reguladores e da autoridade norte-americana de comércio, a FTC (Federal Trade Commission), por eventuais práticas anti-concorrenciais. Em cima da mesa, tem estado o Marketplace mas não só.

Se chegaste até ao fim, esta mensagem é para ti

Num ambiente mediático que, por vezes, é demasiado rápido e confuso, o Shifter é uma publicação diferente e que se atreve a ir mais devagar, incentivando a reflexões profundas sobre o mundo à nossa volta.

Contudo, manter uma projecto como este exige recursos significativos. E actualmente as subscrições cobrem apenas uma pequena parte dos custos. Portanto, se gostaste do artigo que acabaste de ler, considera subscrever.

Ajuda-nos a continuar a promover o pensamento crítico e a expandir horizontes. Subscreve o Shifter e contribui para uma visão mais ampla e informada do mundo.

Índice

  • Shifter

    O Shifter é uma revista comunitária de pensamento interseccional. O Shifter é uma revista de reflexão e crítica sobre tecnologia, sociedade e cultura, criada em comunidade e apoiada por quem a lê.

Subscreve a newsletter e acompanha o que publicamos.

Eu concordo com os Termos & Condições *

Apoia o jornalismo e a reflexão a partir de 2€ e ajuda-nos a manter livres de publicidade e paywall.

Bem-vind@ ao novo site do Shifter! Esta é uma versão beta em que ainda estamos a fazer alguns ajustes.Partilha a tua opinião enviando email para comunidade@shifter.pt