16 anos depois, Josh Homme regressa às Desert Sessions

16 anos depois, Josh Homme regressa às Desert Sessions

Um álbum que nos deixa com vontade de ver este super grupo musical em palcos portugueses.

Passaram-se exatamente 16 anos desde o lançamento do último álbum do grupo experimental de rock liderado por Josh Homme (Queens of the Stone Age) e agora, com um novo lineup e novas mentes a trabalhar, o grupo surpreende-nos com Vols.11 & 12, que pode ser descrito como “short and sweet”.

O conceito das Desert Sessions, explicado muito simplesmente, é juntar uma série de músicos num único espaço, carregado de instrumentos fora do comum e tocar durante dias a fio sem nunca descartar qualquer ideia que surja, seja boa ou má. O propósito é precisamente criar um álbum experimental que contemple a contribuição de cada um dos intervenientes. Dois ingredientes fulcrais que ajudam a abrir os horizontes de todos os envolvidos e consequentemente, criar música mais “fora da caixa”, é o facto de os membros do grupo raramente se repetirem (o único que participou em todas as edições foi Josh Homme) e, para além disto, o facto de o leque de artistas convidados ser bastante abrangente, incluindo por exemplo nesta edição, lendas do rock como Billy Gibbons da banda de rock ZZ Top e Jake Shears, um dos vocalistas da banda de pop Scissor Sisters.

O nome do grupo deve-se ao local onde os projetos são gravados, um estúdio chamado Rancho de La Luna que se localiza no deserto da California. Por si só, esta localização já oferece uma certa mística e som característico às gravações lá feitas.

Os artistas que colaboraram nesta edição foram: Matt Berry, Billy Gibbons, Stella Mozgawa, Jake Shears, Mike Kerr, Carla Azar, Les Claypool, Matt Sweeney, Libby Grace e claro, Josh Homme.

Antes de começar a ouvir este álbum, devo admitir que não tinha as expetativas muito altas. Apesar de apreciar o conceito por detrás do projecto, nunca fui capaz de encontrar coesão entre as várias faixas dos projetos passados. No entanto, ao sentar-me a ouvir os 31 minutos que compõem este álbum, fiquei bastante feliz com o resultado.

Os pontos altos não tardam a chegar: a abertura dá-se com uma faixa que flui muito facilmente de stoner rock para blues e de blues para rock. O vocalista principal é Billy Gibbons, que canta sobre o amor que sente pela sua parceira. Imediatamente a seguir temos Noses in Roses, Forever que juntamente com If You Run conseguem captar exatamente o Desert Feel que Josh Homme nos tem habituado a ouvir desde há muitos anos. Apesar de terem uma sonoridade bastante semelhante, a primeira que mencionei é bastante mais energética do que a segunda, que conta com a estreia da voz espetacular de Libby Grace e guitarras de Josh Homme e Matt Sweeney.

Far East From the Trees é uma faixa instrumental que conta com o baixo de Les Claypool, bateria de Stella Mozgawa e Carla Azar e uma super-participação de Josh Homme, que toca piano, guitarra, clavinet (um instrumento de teclas derivado do cembalet), dobro (um tipo de guitarra acústica) e por fim, guitarra “cigar box”. É, portanto, uma faixa extremamente rica com muitas camadas de profundidade e com uma sonoridade que aparentemente nos transporta para o ambiente em que foi gravada.

Crucifire é uma curta explosão de energia com a participação do vocalista e baixista da banda Royal Blood, Mike Kerr e apesar de não ter a letra mais profunda, tanto as guitarras elétricas como a bateria estão spot on e fazem-nos desejar que Homme e Kerr se juntem mais vezes para fazer música no futuro.

Um outro ponto alto é a faixa Something You Can’t See cantada por Jake Shears. É uma música relaxada que nos deixa a sentir bem e com vontade de conduzir pelo deserto adentro, de janelas baixas e de óculos de sol.

Numa nota menos séria, temos provavelmente a faixa do projeto que menos me entusiasmou, Chic Tweetz, cantada por um membro desconhecido, criado especialmente para a ocasião, Töôrnst Hülpft. A letra da música anda à volta das aventuras sexuais desta personagem e da sua voz interior, interpretada por Matt Berry, um comediante britânico. O final da música é simplesmente um diálogo entre os dois intervenientes e, pelo tom da conversa, podemos assumir que foi inteiramente improvisada e criada no momento em que estavam a gravar.

O fecho do álbum dá-se com Easier Said Than Done, onde podemos comprovar de novo os dotes de Josh Homme para a escrita. Com uma bateria extremamente despida e um piano a acompanhá-la, ouvimos a voz de Homme a falar um pouco do quão difícil a vida é, mas que no final de contas, tudo vale a pena. O fim da música é por si mesmo uma metamorfose total em que os instrumentos crescem, a voz deixa de ser tão monótona e é assim que chegamos ao fim de mais uma Session.

É um álbum bastante agradável, fácil de ouvir e digerir, coeso e acima de tudo, original e com ideias frescas que me deixaram extremamente entusiasmado com possíveis colaborações entre os vários intervenientes. O grupo já referiu a possibilidade de virem a fazer tour mundial durante o próximo ano, portanto resta-nos desejar que Portugal tenha a sorte de ser presenteado com a presença em palcos nacionais deste super-grupo musical.

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  • Pedro Caldeira

    Engenheiro Informático de profissão, Pedro Caldeira é um apaixonado por tecnologia e acima de tudo música. Escreve regularmente sobre temas relacionados com tecnologia disruptiva e sobre álbuns e artistas que o inspiram.

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