Manifestantes em Hong Kong não usam o passe de metro. Sabes porquê?

Foto de Mary Hui

Manifestantes em Hong Kong não usam o passe de metro. Sabes porquê?

O hábito dos cidadãos de Hong Kong é utilizar o Octopus Card, um cartão que lhes permite não só andar de transportes por um preço mais reduzido como também fazer uma série de outras transacções.

Quando pensamos em vigilância pensamos em câmaras de CCTV no meio das ruas, pensamos em cookies que nos seguem registando todos os movimentos que fazemos online ou na possibilidade sermos fotografados por alguma autoridade. Aquilo em que raramente pensamos é que qualquer instrumento digital que remeta à nossa identidade pode ser utilizado para o efeito.

O melhor exemplo disso vem de Hong Kong. Durante toda a semana, as ruas encheram-se de manifestantes e pelas redes sociais surgiam intrigantes fotografias de filas em frente às máquinas de bilhética do metro. Em causa, soube-se mais tarde, estava o receio dos habitantes de Hong Kong em serem identificados como parte dos manifestantes através do registo de viagens dos seus títulos de transporte.

Como diz Mary Hui, repórter Quartz, o hábito dos cidadãos de Hong Kong é utilizar o Octopus Card, um cartão que lhes permite não só andar de transportes por um preço mais reduzido como também fazer uma série de outras transacções. Ainda assim, mesmo tendo de pagar mais, durante as manifestações sucederam-se as filas para a compra de bilhetes físicos de utilização única.

O medo dos manifestantes de serem identificados advém da acusação que recai sobre os principais líderes do movimento que saiu às ruas em 2014 numa manifestação semelhante. De resto, este receio justifica-se pelo facto de já no passado, há nove anos, a polícia local ter utilizado os registos do Octupus Card para identificar o suspeito de um crime que acabara condenado.

Este caso, que parece simples e apenas um pormenor, diz-nos mais do que muitos artigos de profundidade sobre os perigos relacionados com a privacidade associados à digitalização do mundo em nosso redor, que geralmente surge embrulhada em termos ingleses como smart cities ou cashless societies.

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