Nas Caldas há nova música a nascer para ser apresentada no final do mês

Três residências artísticas antecipam o Impulso. Filho da Mãe, com quem falámos, é um dos músicos convidados a criar algo exclusivo para este festival organizado por alunos e professores da ESAD.CR.

O Festival Impulso não se realiza apenas nos dias 23, 24 e 25 de Maio com alguns dos artistas mais efervescentes da música portuguesa contemporânea. Começa bem mais cedo e não, não nos referimos aos ‘concertos de aquecimento’ que irão acontecer dia 13 em Leiria e em data por anunciar em Lisboa. Para sermos verdadeiros, o Festival Impulso já arrancou com três residências artísticas a decorrer nas Caldas.

E o que são residências artísticas, perguntas tu? Se calhar já leste esse vocábulo em notícias relacionadas com festivais, especialmente festivais de média ou pequena dimensão como o Impulso que procuram acrescentar valor à sua programação e à sua localidade. Todavia, como no final do dia o que experiências num festival são concertos, acabas por não contactar com as residências artísticas… pelo menos directamente.

Uma residência artística no contexto de um festival de música é quando um artista é convidado pela organização para criar algo exclusivo para esse evento. Geralmente o artista (ou colectivo de artistas) está a viver durante um período de tempo determinado na aldeia, vila ou cidade onde o festival decorre, de forma a recolher inspiração do lugar, das gentes e das tradições para que a sua criação seja personalizada.

O Impulso, festival organizado pelo segundo ano consecutivo nas Caldas da Rainha por alunos e professores da Escola Superior de Artes e Design local, vai contar com três palcos e três dias repletos de música, mas também algumas conferências, exposições e sessões de cinema documental, em parceria com o Doclisboa. As residências artísticas são uma estreia nesta segunda edição do Impulso e contam-se três. Artistas de diferentes sítios vão ou estão a colaborar nas Caldas e pretendem mostrar o resultado nos dias do Impulso, na forma de concerto.

Já tivemos Filho da Mãe, Miguel Nicolau, egbo e LAmA, juntos no SILOS Contentor Criativo; acabámos de ter Fred Ferreira, Igor Jesus, João Pimenta Gomes e Pedro Geraldes, reunidos Ermida de São Sebastião. Ainda vamos ter Suma, Tomara e Tiago Bettencourt. O resultado das três residências artísticas será apresentado ao público em três concertos distintos no Festival Impulso, juntamente com os três pequenos filmes que o filmmaker Rui Major está a fazer sobre os processos criativos.

Tivemos a oportunidade de falar com Filho da Mãe na sequência da sua residência artística com Miguel Nicolau, egbo e LAmA. Filho da Mãe ou Rui Carvalho, guitarrista, tinha estado no Impulso na primeira edição, em 2018, para apresentar e tocar Água-Má, o seu quinto álbum a solo; mas como é que música que respira suavidade e tranquilidade encaixam num festival mais agitado como este que decorre nas Caldas?

“A minha música na verdade também respira e transpira muita ansiedade, nesse sentido, pode adequar-se bem a meios diferentes mais agitados. Claro que pode ser difícil encontrar os silêncios que se encontram num teatro por exemplo e o som acaba por ser mais importante ainda. No fundo, acaba por ser um concerto sempre diferente. No Impulso toquei num espaço grande em que o público mais à frente se deixou levar e o público mais atrás, que não via e não ouvia tão bem, dispersou mais…era um palco mais dedicado ao rock e acaba por ser normal. Mas acho que no geral correu tudo bem!”

Filho da Mãe não esconde ter “alguma relação pessoal com as Caldas” e a importância de se realizarem “coisas” como o Impulso “nas ditas cidades periféricas”, onde “há muito potencial por aproveitar”. Sobre o que criou com Miguel Nicolau, egbo e LAmA só vamos poder descobrir no dia 25 de Maio na Igreja do Espírito Santo – o concerto será de entrada livre e gratuita: “Sou um rapaz muito tímido e bem comportado, não costumo levantar o véu.”

Para já só temos estas fotografias, gentilmente cedidas pela organização do Impulso.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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