Nónio, a plataforma da comunicação social portuguesa, entrou na 2ª fase

A partir desta quinta-feira, os utilizadores terão acesso apenas a 3 artigos/dia.
3 minutos de leitura

O Nónio, o sistema que integra 70 órgãos de comunicação social portugueses para responder ao domínio do Facebook e da Google no ecossistema online, vai começar a pedir aos internautas um registo através do Facebook ou do Google caso queiram aceder a mais que 3 artigos/dia.

Lançado originalmente há cerca de um ano, o Nónio entra assim na segunda fase. Até aqui os leitores de títulos como o Público, o Diário de Notícias, a TVI24, o Expresso ou o Correio da Manhã podiam registar-se no Nónio, mas mesmo que não o fizessem tinham acesso ilimitado e integral aos conteúdos – excepto no caso de existir uma paywall. O registo no Nónio pode ser feito indicando o nome, um endereço de e-mail, a data de nascimento e o género, ou associando uma conta de Facebook ou Google que o utilizador já tenha. O mesmo registo é transversal aos cerca de 70 órgãos de comunicação social aderentes ao Nónio.

O objectivo do Nónio é a recolha de dados pessoais dos internautas, partindo das informações que o utilizador fornece no registo e recolhendo depois outros dados desde os artigos lidos ao sistema operativo usado. Com o Nónio, as empresas de media dos grupos Público, Cofina, Global Media, Renascença Multimédia, Impresa e Media Capital pretendem traçar um perfil pormenorizado de cada visitante para lhes direccionar anúncios que respondam aos seus interesses e motivações. Dessa forma, pretendem não depender de plataformas como o Facebook e a Google, que dominam o mercado de publicidade digital.

“A partir de agora vamos conseguir oferecer aos anunciantes o que oferecem os players internacionais. No fim do dia, é da sobrevivência dos grupos de media nacionais aquilo de que estamos a falar”, defendeu Marcelo Leite, director de Inovação e Novos Negócios do Global Media Group, que falou à publicação Meios & Publicidade em nome dos grupos de comunicação social envolvidos. “O registo é gratuito e não estamos a pedir nada de especial. A informação é pedida pelo Google ou Facebook.”

A partir desta quinta-feira, o utilizadores terão de estar registados e com sessão iniciada no Nónio caso queiram aceder a mais que 3 artigos/dia de um mesmo órgão de comunicação social. O acesso a fotogalerias, a conteúdos de áudio e a vídeos não é incluído nessa contagem, nem tão pouco as homepages dos órgãos e as páginas de cada secção. O acesso através de redes sociais e de motores de busca também não vai exigir registo. E quem aceda aos media envolvidos no Nónio a partir de IPs internacionais também fica excluído do sistema.

De acordo com o mesmo responsável, o Nónio já conta com uma base de dados de 800 mil registos, sendo que a expectativa é chegar aos 2 milhões dentro de 6 meses. O Nónio – um projecto apoiado pelo DNI, um fundo da Google (irónico, não é?), no valor de 900 mil euros – promete além da segmentação publicitária a personalização de artigos e outros conteúdos jornalísticos, de resultados de pesquisa e de newsletters.

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  • Jornalista no Shifter. Escreve sobre a transição das cidades e a digitalização da sociedade. Co-fundador do projecto. No Twitter e no Instagram, é procurar por @mruiandre.

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