WhatsApp lança ‘modo escuro’ e anúncio onde o telemóvel aparece onde “não deve”

O WhatsApp pega num insight valioso mas, provavelmente sem querer, acaba por se tornar satírico.
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Há um par de anos – não muitos – estávamos online quando ligávamos o PC. Ou seja, quando nos sentávamos e fazíamos login no MSN ou Skype. Actualmente, estamos constantemente conectados através de apps de chat, como o WhatsApp, que viajam connosco nos nossos bolsos e de uma rede móvel rápida e disponível em praticamente qualquer lado.

Esta ligação contínua à internet é vantajosa numa série de contextos mas também está a levar a uma sociedade de cabeça baixa nas ruas e transportes públicos, e pressionada a responder no momento. Deixou-se de esperar para contar a história porque basta tirar o telemóvel do bolso e fazê-lo no imediato. Troca-se um livro à noite por um scroll no Instagram antes de dormir ou por conversas tardias nos grupos de WhatsApp e o trabalho esse nunca desliga.

A tecnologia não é má mas temos de lhes colocar limites e travar comportamentos que nos parecem normais apesar de serem nocivos à nossa saúde – não necessariamente a física, mas sobretudo a mental.

O WhatsApp lançou esta semana uma funcionalidade há muito aguardada e que esteve a ser desenvolvida ao longo dos últimos meses, estando disponível nas versões beta da aplicação há já algum tempo. Trata-se do ‘dark mode’ ou ‘modo escuro’, em português – um modo que troca os tons claros por escuros, tornando a interface mais agradável aos olhos… supostamente. Tantas outras aplicações além do WhatsApp têm introduzido um ‘modo escuro’, existindo inclusive esta opção por defeito para as interfaces dos sistemas operativos iOS e Android.

Para celebrar o lançamento do WhatsApp, a empresa subsidiária do Facebook disponibilizou um anúncio que mostra o telemóvel onde o telemóvel aparece quando “não deve”. No vídeo, vemos várias pessoas a levar com a luz do ecrã na cama, no cinema ou em ambientes escuros, fazendo uma cara de desagrado. O pequeno anúncio termina com uma utilizadora a ligar o telemóvel na cama e, já com o ‘dark mode’ ligado, a levar com muito menos luz na cara e, por isso, com uma cara satisfeita.

Esta publicidade do WhatsApp pega num insight valioso: o ‘dark mode’ dá jeito nos cenários mais escuros em que a luz do telemóvel se torna bastante desconfortável. Mas, provavelmente sem querer, o anúncio acabou por ganhar um cariz satírico, como se escondesse uma crítica ao nosso abuso da tecnologia móvel. É que em grande parte desses cenários o uso do telemóvel é desaconselhado por diversos factores.

Seja na cama, no cinema ou noutra situação, temos de saber desligar de vez em quando e aproveitar esse espaço, o estar connosco mesmo, o descanso ou simplesmente a tarefa que estamos a fazer – sem distracções, sem chats, sem ecrãs, escuros ou claros. As novas funcionalidades e tecnologias são louváveis mas a sua integração não tem necessariamente de servir para expandir ainda mais os contextos de utilização do telemóvel, um aparelho com uma presença ubíqua na vida quotidiana.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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