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Um olhar realista sobre o espectáculo que é o Web Summit

O Web Summit não é mau, nem é bom – é profundamente complexo e paradigmático. Esta fotorreportagem procurou captar essa riqueza, explorando a dicotomia entre o lado mais humano e menos humano do Web Summit.
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Durante três dias e meio, condensa-se entre o Altice Arena e a FIL uma amostra da sociedade frenética em que escolhemos viver. Onde tudo acontece ao mesmo tempo e a um ritmo alucinante, onde nos perdemos entre tanta oferta e o pouco tempo que temos para dar. Onde estamos a ouvir mas ao mesmo tempo não estamos, porque o telemóvel parece ser mais importante. Onde mais depressa estamos a reclamar ou a dizer que estamos fartos do que realmente a aproveitar. Onde estamos à procura da next big thing sem perdermos tempo a aproveitar o que temos. Onde nos concentramos mais em promessas do que na realidade que vivemos.

O Web Summit é um evento de aparências e onde as pessoas se vão aparecendo. É uma espécie de “jantar de Natal” onde jornalistas de redacções diferentes se encontram, falam, trocam umas ideias, cumprimentam-se porque não se vêem desde o ano passado. Onde os políticos vão aparecem e fazendo presenças como se estivessem numa daquelas festas ou discotecas; sorriem e acenam para nós só para ficarem bem na fotografia e no telejornal. E onde os empreendedores sentem no espírito comunitário um escape à vida solitária e de perseverança que realmente caracteriza a vida das pequenas empresas, muitas delas fadadas ao insucesso.

O Web Summit é um evento onde as grandes empresas ofuscam as pequenas, com os seus stands luminosos onde se joga basquetebol ou se sobe a um unicórnio. O Web Summit não é mau, nem é bom – é profundamente complexo e paradigmático. Um fiel retrato dos tempos em que vivemos, uma metáfora de preço elevado que deixa de fora quem não pode pagar pelo bilhete de entrada ou os convida a ser voluntários para fazer parte da experiência. Tal como no mundo cá fora, cabe a nós tirar o melhor partido daquilo. Esta fotorreportagem procurou captar essa riqueza, explorando a dicotomia entre o lado mais humano e menos humano do Web Summit,  as relações de poder expressas mas invisíveis na maioria das circunstâncias e o espetáculo que seduz para além do conteúdo que realmente informa, ensina ou provoca à reflexão.

As fotos são do Tiago Ferreira/Shifter.

 

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