Nike lança o seu primeiro vídeo de skate só com mulheres

Não é um vídeo sobre mulheres a skatar, é um vídeo sobre skate.

Ao crescer na Flórida na década de 1980, a jovem Elissa Steamer era conhecida pelos skateparks da cidade como “a miúda do skate”. Mais de três décadas depois, Steamer tornou-se um nome familiar no universo do desporto depois de ser reconhecida como uma das primeiras mulheres a ganhar estatuto de profissional. Foi em sua homenagem que a Nike lançou o seu primeiro vídeo de skate só com skaters mulheres. Gizmo – alcunha que Elissa ganhou do seu pai – é, segundo a marca, apenas uma fatia do que tem vindo a fazer “para promover uma cultura de skate mais inclusiva, atraíndo e convencendo pessoas de todas as origens a pegar num skate.”

A Nike SB, “braço” da gigante norte-americana dedicado ao skate, reuniu algumas das skaters que patrocina e, ao longo de um ano, filmou-as a fazer o que fazem melhor. O vídeo foi realizado e filmado por Jason Hernandez, que apesar de ter deixado o cargo de vídeografo da marca em 2016 continua a produzir trabalhos com a equipa Nike SB, e bem. Além de Steamer, o vídeo inclui nomes como Lacey Baker, Leticia Bufoni, Hayley Wilson, Sarah Meurle, Josie Millard ou Nicole Hause, filmadas em vários locais pela América do Norte, China, Europa e Austrália.

Gizmo merece menção pelo vídeo que é por si só – estética e musicalmente é considerado por muitos fãs do desporto um dos melhores dos últimos tempos, pela banda sonora, pela cinematografia, edição exímia e pelo look geral anos 1980 elevado pelo uso de uma câmara 16mm -, mas também pela forma como é um marco sem exagerar esse significado. Não é um vídeo sobre mulheres a skatar, é um vídeo sobre skate. Hernandez não sublinhou a fluorescente o feminismo de ter um cast exclusivamente de mulheres, sublinhou a forma como são naturalmente geniais no que fazem. Como noutro vídeo de skate qualquer, importam as manobras e quem as faz porque as sabe fazer.

Essa abordagem natural é apenas uma das conquistas da Nike em todo este processo. Nos últimos anos, têm sido várias as acções da marca no sentido de alargar a comunidade de skaters e expandir a cultura, ajudando a desenvolver uma nova geração de adeptos e praticantes.

A influência de skaters como Elissa Steamer transcende para outras da equipa da Nike SB, que usam o seu sucesso para estimular conversas sobre questões mais amplas da cultura desportiva, tanto dentro como fora da competição. Por exemplo, a confirmação do skate feminino como desporto oficial dos próximos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 leva as skaters norte-americanas Lacey Baker e Nicole Hause a competir num novo palco, ao lado dos seus colegas do sexo masculino. Lacey Baker é também conhecida por usar a técnica que a fez famosa como uma plataforma para defender a comunidade feminina e LGBTQIA. Em 2017, foram os seus insights sobre o que preferia num sapato para skate (Baker já tinha modificado o seu calçado masculino para melhorar o desempenho), que levaram à criação das Nike SB Bruin High, as primeiras sapatilhas Nike projectado para mulheres.

A Nike SB é também parceira oficial da Skate Like A Girl, uma organização sem fins lucrativos que pretende construir uma comunidade de skate mais inclusiva, organizando acampamentos temáticos para jovens, programas pós-escolares e noites de skate em parques em Seattle, Portland e São Francisco. Esse apoio culmina no evento anual Wheels of Fortune em Seattle, que existe há dez anos e é a mais antiga mostra de skate feminino com skaters mulheres e transgénero em todo o mundo. A edição deste ano aconteceu no passado mês de Maio. Confere em baixo o vídeo que a revista Trasher fez sobre o evento.

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  • A Rita Pinto é Editora-Chefe do Shifter. Estudou Jornalismo, Comunicação, Televisão e Cinema e está no Shifter desde o primeiro dia - passou pela SIC, pela Austrália, mas nunca se foi embora de verdade. Ajuda a pôr os pontos nos is e escreve sobre o mundo, sobretudo cultura e política.

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