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Nasceu um arquivo digital para preservar a cultura cigana

O RomArchive pretende destacar a rica herança cultural dos ciganos, que é parte da cultura europeia apesar de muitas vezes ser ignorada.
2 minutos de leitura
Foto via RomArchive

A cultura cigana, rom, pode não ser uma manifestação mainstream, mas tem a sua essência e a sua importância – merece ser preservada, entendida, contemplada como todas as restantes expressões étnicas. É a isso que se propõe o RomArchive, um projecto iniciado há três anos e meio.

Depois de envolver 150 pessoas em 15 países e de juntar 5 mil itens da cultura cigana – entre fotos, textos, vídeos e áudios –, o RomArchive foi por fim lançado. Trata-se de um acervo digital que se propõe a preservar a cultura cigana, apresentando uma narrativa contada pelos próprios integrantes da comunidade, marcada por um misto de fascínio e desdém.

Não se sabe muito sobre a origem dos povos ciganos, mas acredita-se que tenham surgido na Índia e migrado, por motivo desconhecido, para a Europa, por onde se espalharam. A história cigana é uma história de escravidão, discriminação e perseguição com séculos e séculos de sofrimento; aliás, crê-se que os ciganos tenham sido vítimas de trabalhos forçados desde meados do século 14 até ao século XX. Actualmente estima-se que existam entre 12 e 14 milhões de ciganos espalhados pelo mundo, sendo que cerca de 4 milhões falam romani, o dialeto oficial do povo e para a UNESCO uma das línguas em risco de extinção.

O RomArchive

O material reunido neste RomArchive encontra-se separado em secções como dança, filmes, flamenco, literatura, música, teatro e drama, artes visuais, fotografia, movimento pelos direitos civis Romani e holocausto (“Vozes das Vítimas”). A curadoria do acervo coube a 14 pessoas de nove países diferentes, conforme conta o jornal brasileiro Nexo.

O RomArchive pretende destacar a rica herança cultural dos ciganos, que é parte da cultura europeia apesar de muitas vezes ser ignorada. O projecto – disponível em inglês, alemão e romani – está a ser financiado e apoiado por diversas instituições alemãs, como a Fundação Cultural Federal da Alemanha que disponibilizou 3,75 milhões de euros, a Agência Federal pela Educação Cívica da Alemanha e o Instituto Goethe. O apoio alemão é historicamente significativo, uma vez que o genocídio cometido pelos nazis contra os sinti e os roma, dois dos principais grupos ciganos, foi responsável pela morte de cerca de 500 mil pessoas.

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