Google caricatura futuro pós-Artigo 11

A empresa norte-americana contactou o site Search Engine Land para lhes dar acesso a uma página de testes onde a empresa diz estar a preparar o futuro preparando-se para a implementação dos artigos 11 e 13.

A reforma dos direitos de autor e, mais concretamente, os artigos 11 e 13 gerou muita conversa, sobretudo aquando do lançamento do vídeo do Wuant sobre o tema. Desde então, a discussão amainou mas o progresso dos polémicos artigos não. Hoje, dia 18 de Janeiro, é dia dos países revelarem as suas posições sobre os diplomas e ainda nem sabemos como o governo português, que se tem escusado a falar sobre o assunto, vai votar.

O assunto já foi aqui mais do que abordado e qualquer tentativa de o explicar de novo seria pura repetição, nesta fase surgem portanto, mais do que explicações, demonstrações. Foi o que fizemos aqui recentemente numa colectânea de 5 momentos em que os algoritmos falharam miseravelmente na deteção de conteúdo ilícito e foi o que a Google fez agora em jeito de caricatura.

A empresa norte-americana contactou o site Search Engine Land para lhes dar acesso a uma página de testes onde a empresa diz estar a preparar o futuro preparando-se para a implementação dos artigos 11 e 13. Nas capturas de ecrã entretanto partilhadas pelo site podemos ver uma página de resultados de notícias do Google quase completamente deserta. Todo o conteúdo que a directiva pretende proteger com a famosa link-tax foi retirado restando apenas os nomes dos sites indexados e o número de resultados.

É preciso considerar que gigantes tecnológicas como a Google são parte interessada no mercado digital e portanto nunca terão — como ninguém — uma posição completamente neutra sobre os artigos. De resto, a plataforma já se viu a braços com questões semelhantes ao artigo 11 a nível local, na Alemanha e na Espanha. Em ambos os países, as publicações acabaram por ceder licenças de partilha à Google devido à abrupta queda de visitas sentida.

Se por um lado o esvaziamento da Google nos parece um problema deles, é importante considerarmos que se esta é a posição de uma gigante tecnológica com dinheiro para gastar/investir em cumprimento legal, outras plataformas de agregação como o Feedly ou o Flipboard podem ser igualmente comprometidas na Europa.

https://shifter.sapo.pt/2018/12/artigo-13-11-civilizacional/

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