100 filmmakers de várias partes do mundo, juntos, num vídeo sobre todos nós

Dan Mace deu a ideia e tratou da edição. Entre os 100, há um português: Ricardo Moura, de 27 anos.

No final de Julho, Dan Mace, um jovem cineasta da África do Sul que ganhou popularidade depois de se ter juntado a Casey Neistat no projecto 368, propôs-se a realizar um pequeno vídeo com a ajuda de uma centena de filmmakers de diferentes pontos do globo. O resultado foi agora publicado; é um vídeo de quatro minutos intitulado Humankind, uma viagem pelo mundo (passando por Lisboa) para nos mostrar sobre quem somos — enquanto um todo — e nos inspirar a contribuir para a mudança.

Quando Dan Mace anunciou originalmente o projecto, apresentou-o como algo “demasiado especial para fazer sozinho, demasiado diverso para o conhecimento de um homem só, demasiado global para conseguir fazer a tempo e demasiado bonito para não partilhar” e Disponibilizou um endereço de e-mail através do qual qualquer filmmaker, de qualquer canto do planeta, poderia candidatar-se a ser um dos 100 escolhidos a participar com as suas imagens neste vídeo.

De acordo com uma publicação no Reddit, os filmmakers seleccionados tiveram uma semana de prazo para enviar um conjunto de clipes, sem qualquer edição e respeitando um determinado tema, assim como algumas orientações específicas. Dan partilhou no Twitter ter recebido 2 mil e-mails em apenas uma hora; poucos dias depois, esse número tinha subido para 13 mil.

Ricardo Moura, de 27 anos, que há cerca de um ano e meio começou um projecto audiovisual intitulado Mambo Produções, ligado sobretudo ao hip hop, foi um dos 100 cineastas seleccionados para este projecto. Se estiveres bem atento, vais conseguir ver quatro imagens de Ricardo e o som de um eléctrico lisboeta entre os cortes repentinos de Dan. “Filmei tudo numa manhã na baixa de Lisboa e rezei para que aparecesse pelo menos um frame meu. Apareceram quatro planos e fiquei muito contente por adicionar à minha ainda curta colecção de ‘achievements’ um crédito num video mundial”, contou numa pequena conversa via chat com o Shifter. “Quando recebi a resposta fiquei em modo “wow, isto se calhar vai mesmo acontecer'”. O conceito era ambicioso e havia muito pouco tempo para entregar imagens.”

Em Humankind, Dan Mace explora visualmente as diferenças e semelhanças entre as 7,6 mil milhões de pessoas que existem em todo o mundo para concluir que somos todos muito parecidos porque fazemos todos parte de algo chamado Humanidade. O vídeo, que poderia ser facilmente o anúncio de uma marca, procura sobretudo inspirar quem o veja e vale pela proactividade e pelo esforço de montar todos os clips numa narrativa visual e sonora com sentido – sendo o resultado mais genuíno do que se fosse fruto do investimento milionário de uma campanha publicitária. Afinal, nem tudo o que vemos tem de ser um anúncio e ainda bem.

Sem a internet, pedir e concretizar a colaboração de mais de uma centena de pessoas seria uma tarefa bem complicada ou mesmo impossível. Humankind vale também por isso. Todavia, Dan disse ter recebido várias críticas a filme que partilhou, talvez por as pessoas terem criado expectativas mais altas ou por não terem achado a mensagem distinta/poderosa, uma crítica recorrente ao trabalho de Dan.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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