Já percebemos porque os idiotas ganham sempre na internet

Assim fica o nosso apelo pelo exemplo para que não matem o mensageiro, tentem perceber a mensagem. 

Começámos a semana a escrever sobre a praga de whataboutism que se tem espalhado pela internet estragando todo e qualquer princípio de boa discussão com uma tirada nada a ver. 

Foi ainda nesse espírito cujo melhor termo para definir será, provavelmente, desapontamento, que decidimos recorrer a essa estratégia para promover um dos nossos artigos para perceber o que acontecia. A ideia era usar a nossa própria plataforma para testar a eficiência de uma técnica que podendo ser usada em vários contextos é especialmente engaging e eficaz na difusão de mensagens políticas.

Long-story short, para quem não leu o artigo: o whataboutism é uma técnica de propaganda em que se responde a algo com uma comparação completamente desproporcional que seja afecta ao mesmo público. Foi o que fizemos. 

Assim, para acompanhar a notícia de uma conquista intelectual de um grupo de investigação da Universidade de Coimbra, decidimos recorrer ao what about mais visto na internet portuguesa, relacionando com futebol.

A ideia não foi feliz, podem dizê-lo. Foi propositadamente experimental, estranha e provocadora, mas só assim estariam criadas as condições para ver a táctica de propaganda a fazer o seu efeito. Os resultados, esses, não podiam ser mais evidentes como prova a comparação entre esta publicação e a publicação original da notícia.

Se, regra geral, a publicação original de um artigo gera mais clicks e interação do que a sua republicação, o simples uso do whataboutism fez com que os resultados de performance do post quadruplicassem. Sim, leram bem, aumentassem 4x em todas as métricas. Todas excepto uma: na primeira publicação com uma toada séria um utilizador escolheu ocultar todas as publicações do Shifter, algo que não aconteceu com este post idiota, como bem categorizaram nas caixas de comentários.

Em suma, em menos tempo (apenas 7h, comparando com os 3 dias da publicação original), o post utilizando o comentário infeliz teve mais alcance, 4x mais gostos (124 comparando com 38) e mais de 4x mais partilhas (13 comparando com as 3 originais).

Pedimos desculpa aos nossos leitores por esta estratégia experimental e ousada mas não queríamos falar das técnicas de propaganda utilizadas para espalhar fake news e alt facts sem comprovar a sua utilidade. Assim fica o nosso apelo pelo exemplo para que não matem o mensageiro, tentem perceber a mensagem. 

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  • O João Gabriel Ribeiro é Co-Fundador e Director do Shifter. Assume-se como auto-didacta obsessivo e procura as raízes de outros temas de interesse como design, tecnologia e novos media.

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