De “Rainha do Soul” a activista: Aretha Franklin, eterno símbolo de liberdade

Aretha Franklin "reformou-se" da presença em palco em 2017, depois de o seu estado de saúde ter piorado significativamente.

Foi a primeira mulher a receber uma estrela no Rock and Roll Hall of Fame. Aretha Franklin morreu, esta quinta-feira, aos 76 anos e com ela levou o título de eterna “Rainha do Soul”. Elogiaram-lhe a força de cada palavra que cantou e no reportório de canções que ainda movem multidões estão “Respect” e “Natural woman”. Hinos à emancipação feminista que colocaram Aretha na lista de activistas pelos direitos das mulheres, independentemente da sua cor ou credo.

“As mulheres provavelmente sentem compaixão e identificam-se de imediato com as letras das minhas músicas. É possível aprender-mos alguma coisa umas com as outras. Por isso, se as pessoas retirarem alguma coisa das minhas músicas ou forem inspiradas por elas, onde quer que estejam, é fantástico”, disse Aretha Franklin à revista Time.

Começou a cantar numa igreja Batista, em Detroit, onde o seu pai era pastor, e foi subindo até conquistar 18 Grammy Awards em 44 nomeações. Lançou mais de 40 álbuns, o primeiro com apenas 14 anos, e vendeu mais de 75 milhões de cópias. Abandonou os estudos com 15 anos, já com um filho, para seguir Martin Luther King em digressões.

Recebeu, pelas mãos de George W. Bush, em 2005, a Ordem da Liberdade, a mais alta condecoração civil do país, mas “reformou-se” da presença em palco em 2017, depois de o seu estado de saúde ter piorado significativamente, devido a um cancro diagnosticado em 2010.

Cantou, em 1968, no funeral Luther King, com quem se notabilizou como activista pela igualdade racial e direitos dos negros nos Estados Unidos. E, em 2009, subiu ao palco na tomada de posse de Barack Obama, primeiro afro-americano a chegar ao carga de Presidente dos EUA. “Foi espantoso ver aquelas vagas de gente até onde a vista alcançava, sabendo o que significava aquele momento histórico”, reconheceu Aretha.

Gospel, R&B e Soul são os três géneros musicais em que Aretha Franklin cantou e brilhou, desde muito nova. “Não creio que tenha conhecido alguém que possua um instrumento como o dela e que tenha um background tão rigoroso no gospel, no blues e no vocabulário essencial da música negra”, afirmou Ahmet Ertegun, co-fundador da Atlantic Records, editora onde gravou grande parte das suas melhores canções.

Em 2008, a revista Rolling Stone nomeou Aretha a melhor cantora de todos os tempos, de entre uma lista de 50 artistas que foi composta por 180 especialistas.

A sua última actuação pública, em Novembro de 2017, foi na gala da Elton John AIDS Foundation, um evento de luta contra a sida.

“Ninguém encarna tão completamente a ligação entre os espirituais afro-americanos, o Blues, o R&B e o Rock’n’roll, o modo como a adversidade e o sofrimento são transformados em algo cheio de beleza, vitalidade e esperança. Quando Aretha Franklin canta, é a história americana que jorra”, disse Obama depois da atuação da cantora no Kennedy Center.

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  • A Judite Rodrigues é account manager no sector da banca e jornalista e cartoonista nas horas vagas. Gostava de ter o humor de José Vilhena, a seriedade de Vergílio Ferreira e o poder de escrita de Miguel Torga. Os temas que mais lhe interessam são Política e Cultura. É mestre em Ciências da Comunicação, com especialidade em Jornalismo e Informação, pela Universidade do Minho.

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