3 exposições incríveis para visitares em Serralves

Até 9 de Setembro, o programa expositivo da Fundação Serralves alinha-se proporcionando aos seus visitantes uma experiência tripartida de visita e contemplação de arte contemporânea.

Fotografia: João Ribeiro

Não é difícil chegar a Serralves sem a matéria estudada e sermos surpreendidos com uma exposição com algumas peças singulares de arte contemporânea, retrospectivas ou exibições de artistas de renome ou por um lamiré sobre alguma das grandes colecções de arte contemporânea privadas. O mais difícil é termos todas estas possibilidades em simultâneo, algo que acontece por estes dias na grande casa das artes na cidade do Porto. 

Até 9 de Setembro, o programa expositivo da Fundação Serralves alinha-se proporcionando aos seus visitantes uma experiência tripartida de visita e contemplação de arte contemporânea. Três exposições distintas que se encaixam nos estereótipos acima referidos dão o mote, raro em Portugal: Zéro De Conduite,Anish Kapoor: obras, pensamentos, experiências e A Coleção Sonnanbend.

Zéro de Conduite (até 9 de Setembro)

É uma exposição de obras da colecção de Serralves e a primeira com curadoria do novo director do museu, João Ribas. Zéro de Conduite apresenta gestos de irreverência ou desobediência na Colecção de Serralves, quer dirigidos a instituições, como a escola ou o museu, ou a formas de repressão ou controlo. Assim, a exposição posiciona-se, mais do que como uma mostra de peças, como um convite ao questionamento do próprio espaço e da função da exposição. Cruzando obra de artistas de várias gerações, proveniências e meios, desde os anos 1960 até ao momento actual, a exposição ilumina os comportamentos transgressores, abrindo espaço à reflexão sobre a sua censura ou normalização nos tempos que correm. 

“As obras expostas ecoam muitas das circunstâncias da nossa atual realidade política, simultaneamente questionando quem pode transgredir ou comportar-se indevidamente, como e porquê.”

Foto de Jorge Félix Cardoso/Shifter
Foto de Jorge Félix Cardoso/Shifter

Anish Kapoor: obras, pensamentos, experiências (até 6 de Julho de 2019) 

Se Zéro de Conduite esconde a essência na metáfora do seu título, esta exposição tem um nome auto-explicativo. Os conceituados jardins de Serralves – da autoria do arquitecto paisagista Jacques Gréber, circunscritos pela casa art deco projectada por Charles Siclis e José Marques da Silva e pelo auditório e biblioteca assinados por Álvaro Siza – servirão de contexto à permanência temporária das obras de um dos escultores mais notáveis e reconhecidos do nosso tempo, Anish Kapoor. 

Para além das esculturas de exterior estrategicamente posicionadas no jardim, num itinerário definido pelo artista, a exposição incluirá ainda 56 maquetas de projectos executados e outros que não tiveram o mesmo desfecho, que permitem ao visitante estabelecer uma relação entre a forma de concepção no íntimo do artista e a obra final disposta à sua contemplação. 

“A exposição reúne uma selecção de trabalhos de exterior representativos da linguagem escultórica de Kapoor, para a qual a materialidade, a escala, o relacionamento com a arquitectura, a paisagem e o observador são factores constitutivos.”

(Fotografia da Fundação Serralves)

A Colecção Sonnabend: Meio Século de Arte Europeia e Americana – Part II (até 23 de Setembro)

Criada pela influente galerista Ileana Sonnabend, a colecção com o seu nome é considerada pela crítica umas das colecções mais importantes de arte americana e europeia da segunda metade do século XX. Esta exposição segue-se à da 1ª parte da colecção, não sendo nem por isso menos interessante. Nesta 2ª mostra, estarão em especial destaque o uso da fotografia – desde os anos 1960 até ao presente –, o trabalho de artistas relacionados com a pop art, o minimalismo e arte conceptual, incluindo obras de nomes como Gilbert & George, Bernd e Hilla Becher, John Baldessari, Hiroshi Sugimoto, Candida Hofer, Haim Steinbach e Ashley Bickerton, entre outros.

Outro dos destaques vai para a apresentação de esculturas de Jeff Koons, produzidas entre 1985 e 2012 e que constituem uma pequena retrospectiva sobre a obra deste icónico artista. Comissariada por António Homem, a exposição em Serralves é organizada com a colaboração da Fondazione Musei Civici Venezia (MUVE), Ca’ Pesaro, em Veneza, e da Sonnabend Collection Foundation.

Emoji adicionado à prova de algoritmos de censura (Jorge Félix Cardoso/Shifter)

 

Outros pretextos

Para além destas três exposições de renome, nos restantes espaços do museu a oferta não se finda. E Depois, a História – Go Hasegawa, Kersten Geers, David Severen é uma exposição organizada pelo Canadian Centre For Architecture e propõe um diálogo expositivo entre dois ateliês de arquitectura sobre a história desta arte.

Na secção de projectos contemporâneos, e até dia 30 de Setembro, Martine Syms, uma artista residente em Los Angeles, também é convidada de Serralves. Recorrendo ao vídeo e à peformance, Sysms explora as representações da negritude, a sua relação com a narrativa, o vernáculo, o pensamento feminista e as tradições racionais. O projecto, intitulado Lessons I-CLXXX, é uma obra em curso, constituída por vídeos de 30 segundos que a artista recolhe das mais diversas fontes – incluindo YouTube e programas de televisão dos anos 1980 –, que a artista compila numa estrutura quase aleatória, desconexa, intuitiva, que a artista vai compilando desde 2014.