Maro, um segredo da música portuguesa para descobrir em 3 volumes e 2 concertos

A mais recente novidade da música portuguesa em entrevista.

Tem-se dito que Maro é o segredo mais bem guardado da música portuguesa. Afirmação que há de passar a errada em muito pouco tempo. A artista portuguesa vive actualmente em Los Angeles (ou LA), onde consolidou os seus conhecimentos musicais na Berklee College of Music, e tem um disco de estreia dividido em três volumes. O “Que Será de Ti” foi o single escolhido, lançado a 30 de Maio.

Nestes últimos dias, a artista tem exposto na sua conta de Instagram trechos de versões das suas músicas com alguns célebres músicos portugueses, entre eles Rui Veloso, Luísa Sobral e António Zambujo.

Com dois concertos à porta, tivemos a oportunidade de conversar com a Maro no Capitólio Cineteatro, em Lisboa, onde daqui a uns dias (6 de Julho) vai tocar, antes de subir à Casa da Música, no Porto (dia 8 de Julho).

MARO by António Zambujo! @antonio.zambujo

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Maro, a que se deve este nome?

Maro é uma alcunha que uma grande amiga do Quénia me deu. Acabou por pegar, porque era muito mais fácil dizer em qualquer língua do que Mariana e naturalmente adoptei para nome artístico.

Quando ainda estavas na Berklee, fizeste um conjunto de vídeos aos quais chamaste Berklee People. Fala-me um pouco sobre esta ideia.

A ideia surgiu porque é muito fácil, numa escola com 5000 músicos, sentir que há alguma competição, e eu queria evidenciar o oposto na música – que é na verdade o que eu acredito que é a música -, uma oportunidade de juntar pessoas, não interessando se a pessoa fala ou não a nossa língua. Então peguei neste conceito e procurámos, em cada vídeo, cobrir um género de música diferente, tentando sempre mudar instrumentação. O objectivo foi sempre capturar a genuinidade do que nós estávamos a fazer, sem ensaios prévios. Só tinha que explicar o arranjo previamente e a coisa ficava feita em 2, 3 takes. Foi uma oportunidade de mostrar que estava rodeada de outros tantos músicos, cada um com a sua voz e experiência!

Porquê a opção de lançar 3 discos com 30 minutos?

Na realidade é um só disco, mas dividido em 3 volumes, com 22 canções seleccionadas de 70! Havia muitas que eu escrevi quando era miúda, mas que já não fazia sentido gravá-las. Também não tinha a lata de me apresentar às pessoas como que “Ah, tomem assim de repente 22 canções minhas!”. Quis, como primeiro disco, olhar para trás e resgatar algumas músicas que acompanharam o meu processo de crescimento, desde que comecei a escrever canções aos 11 anos, passando pela descoberta de que era realmente isto que eu queria fazer em vez de seguir medicina veterinária (que era o que julgava que queria fazer), até à minha conclusão dos estudos na Berklee. Achei que fazia mais sentido ir-me apresentando desta forma.

Nota-se que dás especial atenção às progressões harmónicas que escreves. Dás primazia à harmonia ou à melodia? E o que é que te faz decidir escrever em Português ou em Inglês?

Na verdade, vêm os duas juntas. Acaba por ser uma constante improvisação, se eu não gosto como a coisa me sai à primeira, procuro fazer umas variações até ficar contente com o meu trabalho. Sou super apologista da genuinidade e tenho a mesma abordagem com a minha música. E acontece o mesmo com a letra, é como me sai naturalmente.

Lançaste o último dos 3 volumes no sábado. O que é que nos podes contar sobre este volume?

É completamente diferente dos outros dois. Como te disse, os volumes estão divididos por fases, e este é o volume que conta com as minhas composições mais recentes. É uma consolidação do que realmente quero fazer, é uma espécie de celebração da felicidade que me faz sentir ao fazer música, e talvez daí sentir que este é o mais animado dos 3.

Como é que conheceste a Carolina Deslandes? E que tal foi a experiência de partilhar o palco no Rock In Rio?

Conhecemo-nos uma vez num funeral de um primo do meu pai em que ela foi cantar. Mais tarde encontrou a minha página de artista, e pontualmente elogiava-me e escrevia “Adoro as tuas coisas, continua a pôr vídeos, que os vejo a todos!”. Um dia disse-me que estava a preparar o seu disco e havia um tema que gostava muito de cantar comigo, perguntou-me quando é que vinha a Portugal. Eu vim neste Natal passado, e foi aí que nos reencontrámos e fizemos as coisas acontecer. Tocar no Rock in Rio foi incrível, estava cheio, e fui muito bem-recebida por uma plateia que veio ver a Carolina de propósito, e ela fez questão de me fazer sentir bem-recebida, apresentando-me cheia de elogios. Ela tem sido quem mais me está a ajudar em Portugal, como que uma espécie de madrinha!

O que podemos esperar dos concertos no Capitólio e na Casa da Música?

Até lá vai haver uma contagem decrescente com vídeos que vou partilhar pelas redes sociais com 8 artistas convidados a interpretar as minhas canções. Vou apresentar a maior parte das canções dos 3 volumes e tenho uma convidada especial, que é um pouco óbvio quem vai sair. Vou levar o Carlos Miguel Antunes a tocar na bateria, o Mário Franco no contra-baixo e o Manuel Rocha na guitarra.