O Mundo volta a visitar Sines e Porto Covo de 19 a 28 de Julho

Dos 59 concertos programados, apenas 22 são de entrada paga. Os restantes são gratuitos.

FMM Sines

Pela 20ª vez, o Festival Músicas do Mundo (FMM) vai voltar a encher Sines e Porto Covo de sons de todos os continentes. Serão este ano 59 concertos – o maior alinhamento musical de sempre, segundo a organização do festival – para ver e ouvir entre dias 19 e 28 de Julho em vários espaços.

O alinhamento põe lado a lado artistas e grupos de currículo cheio, como Bulimundo, Huun-Huur-Tu, Inner Circle, Kimmo Pohjonen, Kroke, Maravillas de Mali e Oliver Mtukudzi, e nomes da nova geração, como BaianaSystem, Elida Almeida, Sofiane Saidi, Sons of Kemet e Vieux Farka Touré.

Os primeiros quatro dias de música (19 a 22 de Julho) acontecem no Largo Marquês de Pombal, na aldeia de Porto Covo, e os seis dias restantes (23 a 28 de Julho) passam-se no centro histórico da cidade de Sines (no Largo Poeta Bocage, no Centro de Artes de Sines, no castelo medieval e no passeio marítimo ao longo da Avenida Vasco da Gama). Dos 59 concertos programados, apenas 22 são de entrada paga, os realizados no auditório do Centro de Artes e os concertos nocturnos no Castelo. Os restantes 37 concertos – quase dos terços do programa do programa – são de entrada livre, incluindo todos os que estão programados para Porto Covo e para os palcos da Avenida Vasco da Gama e do Largo Poeta Bocage. São também gratuitos os concertos no castelo ao fim da tarde.

Os bilhetes para os concertos pagos custam isoladamente entre 10 e 20 euros, existindo passes que englobam a programação de 25 a 28 de Julho a 50 euros e apenas para as noites de 27 e 28 a 30 euros. Organizado pela Câmara Municipal de Sines desde 1998 e este ano com o INATEL como parceiro e a Galp como principal patrocinadora, o Festival Músicas do Mundo procura “erguer pontes entre culturas e promover a igualdade da circulação de artistas, dando ao público a oportunidade de conhecer músicos com origem em geografias ou propostas estéticas que encontram menos espaço no circuito comercial da música ao vivo”. Em 2017, o festival recebeu um EFFE Award, atribuído pela Associação de Festivais Europeus a “seis dos mais influentes festivais europeus”, tendo o júri destacado o papel deste festival na promoção de “uma diversidade real – não uma diversidade cosmética” e por constituir uma “celebração da arte, da vida e do espírito cosmopolita”.

O que ver neste Festival Músicas do Mundo?

A viagem do FMM 2018 começa em Portugal. Do país anfitrião, ouviremos fado (Aldina Duarte), experimentações electrónicas sobre música tradicional (Live Low), uma voz com ligações à América do Sul (Susana Travassos) e três representantes da Lisboa das mestiçagens africanas (Fogo Fogo, Sara Tavares, Scúru Fitchádu). Uma Lisboa com ligações a Cabo Verde, arquipélago que trará a Sines uma lenda viva (Bulimundo) e um dos seus maiores talentos (Elida Almeida).

Será também uma das edições mais ricas em música do Norte de África, com músicos que cruzam as fronteiras do Magrebe (AMMAR 808, DuOud, Sofiane Saidi & Mazalda, ŸUMA), passam pelo deserto do Sahara (Imarhan) e chegam ao Cairo metropolitano (Maryam Saleh, Maurice Louca & Tamer Abu Ghazaleh’s Lekhfa).

Do Mediterrâneo oriental, o FMM recebe uma voz pop alternativa do Líbano (Yasmine Hamdan), uma banda do espaço conturbado dos Montes Golã – território sírio ocupado por Israel (TootArd), duas expressões de modernidade da música com origem na Turquia (BaBa ZuLa, Derya Yıldırım & Grup Şimşek) e uma abordagem fresca ao legado musical cipriota (Monsieur Doumani).

Os caminhos pela África subsariana começam no Mali, com um guitarrista de linhagem nobre (Vieux Farka Touré) e um clássico do cruzamento de música africana com música cubana (Maravillas de Mali, com a participação do convidado Mory Kanté). Avançamos depois pela música frafra do Gana (Guy One), pela “tuku music” de um embaixador do Zimbabué (Oliver Mtukudzi) e pelo manancial da música tradicional de Moçambique (Timbila Muzimba).

A África na diáspora também estará presente, pela via de transformações modernas do ethio-jazz (Gili Yalo) e das canções de retorno núbias (Alsarah & The Nubatones).

Do Brasil vem uma das delegações mais fortes que o festival já recebeu: duas bandas que estão na dianteira da nova música urbana atenta às raízes (BaianaSystem, Cordel do Fogo Encantado) e duas cantautoras empolgantes ao vivo e de conteúdo lírico incisivo (Karina Buhr, Tulipa Ruiz).

Ainda na América do Sul, percorremos a cena underground da Colômbia (Cero39, El Leopardo, Meridian Brothers) e fazemos uma incursão à sua música popular mais genuína (Carmelo Torres y Su Cumbia Sabanera). Da vizinha Venezuela, recebemos um expoente da música para cuatro (C4 Trío) e, da Jamaica, o grupo histórico do reggae Inner Circle.

Os EUA figuram no programa com músicos de visão cosmopolita com base em Nova Iorque (Barbez, Moon Hooch) e artistas da música negra que se faz na América profunda (Robert Finley, The Como Mamas).

Voltamos à Europa entrando pelo Reino Unido, de onde chega um grupo que abre o jazz ao hip hop e à música caribenha (Sons of Kemet), um duo de electro swing (The Correspondents) e uma trompetista que transporta a herança árabe para o jazz contemporâneo (Yazz Ahmed).

Da Europa continental, três países terão oportunidade de mostrar duas vezes em palco a diversidade da sua música: a Hungria (Lajkó Félix, Meszecsinka), a Polónia (Kroke, Sutari) e a Finlândia (Kimmo Pohjonen ‘Skin’, Pekko Käppi & K:H:H:L).

Entre a Europa e a Ásia, escutaremos música recolhida nas aldeias da Bielorrússia (Ethno-Trio Troitsa) e sonoridades das pastagens de república russa de Tuva (Huun-Huur-Tu).

Sendo a música um espaço vocacionado para o encontro, também terão lugar no FMM os projectos que cruzam estéticas e geografias. Em 2018, o público poderá dançar ao som de um grupo de mbalax senegalês formado por um produtor alemão (Mark Ernestus’ Ndagga Rhythm Force), uma experiência de fusão entre os ritmos de Cuba e da Jamaica (Havana meets Kingston) e uma colaboração de músicos franceses com um cantor paquistanês (Markus & Shahzad).

Finalmente, recebemos artistas cuja abordagem à música é universalista e sem marcação geográfica precisa, sejam eles um pianista parisiense com gosto pelas viagens (Chassol), um grupo de rock experimental de Barcelona (Seward), um duo espanhol e um trio esloveno de música instrumental (Brigada Bravo & Díaz, Širom) e um duo de guitarra clássica que cruza flamenco e metal nas ruas de Melburne (Opal Ocean).

Podes ver o alinhamento dos concertos por dias, horas e palcos aqui.

Para além dos concertos

A oferta do FMM estende-se dos concertos a um programa de iniciativas paralelas. Nos dias 23 e 24 de Julho, o duo colombiano Alibombo, formado por Juan Pablo Osorio e David Colorado, ministra três workshops no Centro de Artes de Sines: um sobre percussão colombiana e outro sobre “sons reciclados” (para jovens com mais de 12 anos ou de faixa etária inferior, mas com conhecimentos musicais ou instrumentais prévios), e outro ainda sobre “estações criativas” (para todos os públicos). É necessária marcação prévia.

De 23 a 28 de Julho, a partir das 16 horas e até às duas da manhã, a Capela da Misericórdia acolhe a Feira do Livro e do Disco, com a participação da livraria A das Artes, da loja de discos VGM e do atelier de tipografia artesanal O Homem do Saco. No dia 24 de Julho, às 11h00, no Pátio das Artes, Arantxa Joseph, André Duarte e Giacomo Scalisi apresentam Milho por Peixe, um espectáculo musical para famílias e crianças maiores de 6 anos para o qual é precisa marcação no Centro de Artes.

De 20 a 28 de Julho, realiza-se a segunda edição do Entremarés, programa de actividades de divulgação científica por investigadores da Universidade de Évora. Este ano, o programa inclui visita à lota de Sines, yoga, sessão sobre a biologia do percebe e ida à Praia de S. Torpes para conhecer os residentes de um litoral rochoso.

Haverá ainda sessões com os tradutores Tiago Nabais e Hugo Maia, os escritores Rodrigo Guedes de Carvalho, João Lopes Aguiar e David Machado e representantes do jornal independente Mapa; ateliês infantis com músicos do FMM; narrações orais de contos (com Adriano Reis, Trovadoras Itinerantes, Ana Sofia Paiva e Clara Haddad); visitas aos bastidores do festival no castelo; e uma visita guiada aos locais do centro histórico de Sines ligados à biografia da escritora Cláudia de Campos.

Durante o festival, o público poderá ainda visitar a exposição Manuel San-Payo: O Atelier Nómada, patente no Centro de Artes de Sines e no Centro Cultural Emmerico Nunes, no âmbito de mais uma edição do projecto Verão Arte Contemporânea em Sines.

Fotos de Mário Pires/DR