2017 foi o 2º ano em que mais se perdeu floresta

Estima-se que apenas cerca de 15% das florestas que existiam antes da civilização humana permanecem intactas hoje.

desflorestação
Foto de Ales Krivec via Unsplash

A analogia do estádio de futebol é recorrente quando se pretende quantificar uma grande área. Este é um desses casos. No ano passado, perdeu-se o equivalente a 40 campos de futebol de árvores a cada minuto. Ou seja, a chamada floresta tropical diminuiu 15,8 milhões de hectares em 2017.

Os dados têm por base informação de satélite recolhida pela Universidade do Maryland, nos EUA, e foram compilados pelo Global Forest Watch, que desde 2001 monitoriza a perda de cobertura florestal, não só devido à diminuição de árvores em florestas naturais, mas também de plantações criadas e mantidas pelo Homem. O valor registado em 2017 – uma área igual ao tamanho de Itália – e o segundo valor mais alto desde o início das medições.

A diminuição da massiva área verde significa que o dióxido de carbono emitido pelo Homem para a atmosfera não será absorvido de modo ideal, contribuindo ainda mais para as alterações climáticas. A desflorestação destapa também terrenos, tornando-os mais frágeis, e destrói habitats da vida selvagem. É, aliás, uma das principais razões para as populações de animais selvagens terem caído pela metade nos últimos 40 anos, iniciando uma sexta extinção em massa.

O The Guardian refere que a perda de cobertura florestal nos trópicos duplicou desde 2008. O jornal britânico refere que, na totalidade do planeta, se perderam 29,4 milhões de hectares (também o segundo valor mais alto), equivalente a 1 campo de futebol por segundo ou a área do Bangladesh.

No Brasil, a desflorestação estava a baixar devido a políticas de protecção da floresta tropical, mas o cenário reverteu-se com agricultores a deitaram abaixo milhares de hectares para a sua actividade e a ajuda de uma seca severa e de incêndios. A diminuição da massa verde disparou também na Colômbia, onde se abriu uma corrida à mineração, extração de madeira e agricultura. Também na República Democrática do Congo se registaram perdas recordes. No entanto, na Indonésia, a desflorestação baixou 60% devido à ocorrência de menos incêndios e à intervenção do Governo.

Metade dos 197 defensores ambientais mortos em 2017 pertenciam a grupos indígenas

“A principal razão pela qual as florestas tropicais estão a desaparecer não é um mistério – vastas áreas continuam a ser limpas para soja, carne bovina, óleo de palma, madeira e outras comodidades comercializadas globalmente”, aponta ao The Guardian, Frances Seymour, do World Resources Institute, que produz este Global Forest Watch com alguns parceiros. “Muita dessa limpeza é ilegal e está ligada à corrupção”, avisa. O responsável avisa ainda que apenas 2% do financiamento para acções climatéricas são destinados à floresta e protecção dos terrenos.

Estima-se que apenas cerca de 15% das florestas que existiam antes da civilização humana permanecem intactas hoje. Para Victoria Tauli-Corpuz, das Nações Unidas, a desflorestação não é o único problema. “A par da violência contra a Terra, existe uma crescente violência contra as pessoas que defendem essas florestas”, diz referindo que metade dos 197 defensores ambientais mortos em 2017 pertenciam a grupos indígenas.

Recorde-se que ainda este ano dois portugueses foram indiciados pela prática de explorações ilegais num dos países mencionados neste estudo, a República Democrática do Congo.