Porque devemos estar atentos ao caso húngaro

Em Junho de 2018, foi aprovada na Hungria uma lei que declara que será crime auxiliar quem entre no país sem documentos.

Caso Húngaro: Orban vs Soros

Século XXI, recheado de salpicos constantes de revoltas contra a desumanização, e cada vez mais a favor de liberação. Vivemos numa sociedade em que de um lado se festeja o mês pride e de outro se criam campanhas homofóbicas contra Bilie Elliot. É um mar de gente, que se complica porque de gente se fazem as palavras ditas, e as ações tomadas.

No Leste Europeu, desde que a migração maciça se iniciou, oriunda da Síria, e à qual se juntam as pessoas que já escapam de Iraque, Afeganistão e muitos outros locais, nomeadamente na Hungria, começou a surgir uma inatividade em relação ao apoio a dar a estas pessoas. Escapam de uma situação intolerável, para um futuro, (esperam) melhor, e acabam por colidir com um muro. Muro esse construído “nas barbas” da União Europeia.

Questões surgem e o mar de gente torna-se cada vez mais caótico. Temo-nos deparado com o crescimento, repetitivo, de partidos de extrema-direita que acabam por conseguir chegar ao poder, e os quais, se motivam, muitas das vezes por discursos de ódio, que incidem, maioritariamente na problemática, refugiados.

Em Abril de 2018, Viktor Orban vence, mais uma vez, as eleições na Hungria, esta que reelegeu o partido Fidesz, para o terceiro mandato, partido de direita, e não de extrema-direita, mas que se verifica, pelos ideais, que vai saindo da sua pré-definida ala. Desta reeleição tivemos campanhas, várias, como será o que se espera de um partido, no entanto, há uma que gerou graves consequências, e essa será a campanha “Anti-Soros”.

Antes de mais cumpre esclarecer quem é George Soros, já que toda a campanha gira em torno desta personalidade. Milionário húngaro que emigrou para os Estados Unidos da América, George Soros é reconhecido por apoiar instituições e políticos liberais, que combatem o conservadorismo. No país Natal fundou a Universidade Central Europeia e lutou, em época de governo soviético pela libertação do seu país. Filantropo, figura que a muitos que estão no poder gostaríamos de poder chamar, Soros, foi, no entanto, na Hungria, alvo de uma campanha que contrariava os seus ideais, como o serão o de acolhimento dos requerentes de asilo, isto é, os migrantes. Essa mesma política, na qual de baseou o partido Fidesz e ainda hoje se baseia, clamava que Soros pretendia “islamizar” a Europa, opondo-se à ideia de que os refugiados deveriam ser distribuídos pela Europa. Órban usava assim a figura de um homem só, o polémico Soros, para se valer da polarização da sociedade e fazer vingar as suas ideias.

Esse foi apenas um dos pequenos (grandes) passos que a Hungria deu no caminho inverso da humanização, e que nos demonstra como um povo, se pode perder em incertezas que, infelizmente são considerados facto, à boleia de guerras mediáticas.

Mais recentemente, a 20 de Junho de 2018, foi aprovada uma lei, que deriva claramente da campanha Anti-Soros e de toda a política anti-refugiados, e que declara que será crime auxiliar quem entre no país sem documentos, mesmo que o façam no sentido de obter asilo. Esta lei vai dirigir-se muito certeiramente às organizações não governamentais que, cá está, George Soros apoia, e que apoiam estas pessoas. Viktor Orban declara abertamente que a Hungria não quer tornar-se um país de migrantes e por isso mesmo, todos os esforços, apesar de cada vez mais condenáveis no plano internacional, têm sido feitos nesse sentido. A intolerância vai surgindo intensamente na Europa, e a Hungria está com os seus “anti” a ser uma das líderes desse “movimento”.

 

Texto de: Sara Marques

Revisto por: Rita Pinto