Apple acusada de não distribuir actualizações do Telegram por causa da Rússia

"Enquanto a Rússia representa apenas 7% da base de utilizadores do Telegram, a Apple está a restringir as actualizações para todos os utilizadores do Telegram à volta do mundo desde meados de Abril."

Telegram Rússia

O Telegram, aplicação de chat criada pelos irmãos russos Nikolai and Pavel Durov, está bloqueada desde Abril no seu país-Natal, a Rússia. A decisão judicial de um tribunal de Moscovo baseia-se no facto de o Telegram se ter recusado a dar aos serviços de segurança russos a capacidade de ler as mensagens encriptadas dos seus utilizadores.

Em resultado desta proibição, milhares de pessoas saíram à rua em Moscovo no final de Abril em protesto, atirando aviões de papéis – uma referência ao logo da app – e reclamando ao Governo de Vladimir Putin o desbloqueio do serviço de chat. “O regime de Putin declarou guerra à internet, declarou guerra à sociedade livre… então, temos que estar aqui em apoio ao Telegram”, disse um manifestante à agência Reuters. #DigitalResistence foi a hashtag partilhada no Twitter por Pavel Durov aquando dos protestos.

Um mês depois dos protestos, o Telegram volta aos títulos dos jornais, desta vez acompanhado da marca tecnológica mais valiosa do mundo. A empresa de Durov acusa a Apple de se recusar a permitir que os utilizadores de iOS recebam as actualizações da app de chat, isto depois de as autoridades russas terem ordenado à fabricante do iPhone a remoção do Telegram da App Store. Um pedido semelhante foi feito à Google “no dia 17 de Abril”, lê-se na conta do Telegram no Twitter. “As nossas actualizações pararam de chegar globalmente ao iOS no mesmo dia. Enquanto isso, o Telegram para Android recebeu 4 actualizações”, acrescenta fonte oficial.

“Infelizmente, a Apple não está do nosso lado. Enquanto a Rússia representa apenas 7% da base de utilizadores do Telegram, a Apple está a restringir as actualizações para todos os utilizadores do Telegram à volta do mundo desde meados de Abril. Como resultado, não também não pudemos cumprir integralmente o RGPD junto dos nossos utilizadores na UE até o prazo final de 25 de Maio de 2018. Continuamos a fazer esforços para resolver a situação e vamos manter-vos actualizados”, escreveu Pavel Durov no seu canal oficial no Telegram.

Conforme nota o The New York Times, esta atitude da Apple não compactua com posições passadas da empresa, por exemplo, com a importância que dá à privacidade e segurança dos utilizadores de iPhone, não comercializando os seus dados pessoais, ou com o mediático caso de 2016 em que a companhia de Tim Cook se recusou a dar acesso ao FBI ao interior do iPhone de um atacante. O jornal escreve que a Apple facilmente cai nas exigências de Governos estrangeiros. A este caso que envolve Putin e o Telegram junta-se outro do ano passado, em que a Apple concordou com o Governo chinês e removeu aplicações da App Store que permitiam aos utilizadores do país escapar à censura através de VPNs.