O controverso caso das chuteiras dos iranianos

As relações entre os Estados Unidos e o Irão tinham-se tranquilizado durante o tempo de Obama. Contudo, a chegada de Trump ao poder veio alterar o panorama.

Irão chuteiras
Foto via FIFA

Se na última vez em que falámos sobre o Mundial evidenciávamos como pode ser profícuo aproveitar o momento de concentração de tantas nações num curto espaço e tempo para reflectir sobre as suas políticas, agora foi vez de as questões políticas invadirem esse curto espaço e tempo para marcar o resto. O caso remonta às primeiras jornadas do Mundial, mas refere-se ao adversário que Portugal defronta esta segunda-feira, o Irão.

“Sanções aos EUA significa que, enquanto empresa norte-americana, a Nike não pode providenciar sapatos aos jogadores da selecção nacional iraniana neste momento.” – comunicado da Nike

País conhecido pelas difíceis relações com os EUA, o Irão viu essa inimizade traduzida na relação contratual com a gigante Nike que se recusou a fornecer as chuteiras aos jogadores da selecção iraniana. Carlos Queiroz, o treinador português ao comando da equipa do Irão, foi peremptório a mostrar o seu desagrado, sobretudo pela menção da Nike às sanções num comunicado feito para “jovens atletas”. O seleccionador afirma ainda que 90% dos seus jogadores compram as chuteiras, não dependendo por isso de contratos publicitários.

As relações entre os Estados Unidos e o Irão tinham-se tranquilizado durante o tempo de Barack Obama. Contudo, a chega de Donald Trump ao poder veio alterar o panorama. O actual presidente norte-americano rasgou o conhecido acordo nuclear com o Irão e voltou a impor novas sanções que impedem, entre outras coisas, as empresas norte-americanas de manter relações com aquele país ou empresas do mesmo.

O Washington Post foi ouvir um advogado para perceber até que ponto esta medida da Nike seria apenas o cumprimento da lei ou uma atitude excessivamente política e, ao que parece, o veredicto é que a Nike terá agido em conformidade. O mesmo especialista confirma a possibilidade de a empresa pedir uma licença especial que lhe permitia manter a normalidade na situação, mas avança que na administração de Trump essa concessão poderia ser improvável. Os iranianos são reconhecidos enquanto selecção pelo seu espírito combativo e por enfrentarem as dificuldades, tal como Queiroz referiu em conferência de imprensa.