Facebook desiste do seu próprio drone para distribuir internet

O Aquila está em terra e não vai mais levantar voo.

Facebook Aquila
Foto via Facebook

O Aquila foi anunciado com alguma pompa e circunstância em 2015, apesar de a ideia de usar drones para levar a Internet a localizações remotas e, por isso, desconectadas já andar a ser trabalhada pelo Facebook desde um ano antes. Em 2016, no seu primeiro voo experimental, não correu tudo bem, tendo ocorrido uma “falha estrutural” que obrigou a uma aterragem complicada; foi melhor na segunda vez, um ano depois, mas ainda longe da perfeição, agora chega ao fim do seu ciclo de desenvolvimento.

Com 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo sem acesso à Internet, Mark Zuckerberg quis dar o seu contributo e, entendendo a conectividade como um direito humano, lançou o Internet.org – um projecto que pretendia estender o acesso a um conjunto básico de aplicações, como o Facebook, aos países em desenvolvimento. O Aquila era apenas uma das iniciativas ao abrigo deste projecto – um drone capaz de circundar uma área de 100 km em diâmetro e de, a uma altitude de 20 km, enviar Internet para o solo através de ondas laser e de ondas milimétricas.

The internet provides information, opportunity and human connection, yet less than half the world has access. We’re proud to announce the successful first test flight of Aquila, the solar airplane we designed to bring internet access to people living in remote locations. This innovative plane has the wingspan of an airliner but weighs less than a small car and flies on roughly the power of three blow dryers — incredible!

Publicado por Facebook em Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

Era suposto o Aquila fazer parte do futuro da comunicação digital numa fase de transição mediada por grandes empresas, ligando dessas 4 mil milhões de pessoas desconectadas os 1,6 mil milhões que vivem em zonas remotas sem acesso a redes móveis e onde a implementação de outras soluções seriam desafios maiores e demasiado caros. Contudo, o Facebook decidiu desistir do Aquila. Em vez de desenvolver o seu próprio drone, a empresa vai apostar em parcerias, como com a Airbus, para tentar alcançar o mesmo objectivo que com o Aquila.

“Decidimos não continuar a desenhar ou construir a nossa própria nave, e fechar nossas instalações em Bridgewater”, escreveu Yael Maguire, do Facebook, no blogue de programação da empresa. Segundo o TechCrunch, o fecho das instalações em Bridgewater significa a perda de 16 postos de trabalho específicos para o desenvolvimento e manutenção do Aquila. Já o Business Insider conta que o responsável pelo projecto do drone já tinha abandonado o mesmo, depois de perceber que não existia interesse por parte do Facebook em prosseguir o investimento.

Quando o Facebook estava a investir no Aquila, depois de ter adquirido em 2014 a Ascenta, uma empresa britânica de drones, também a Google andava de olhos postos no céu. Um ano antes, tinha lançado o Project Loon, com o intuito de usar balões para espalhar Internet, e também em 2014 adquirido uma empresa de drones e aeronaves, a Titan Aerospace. O Project Loon continua de pé ao abrigo do X, uma das empresas do grupo Alphabet ao qual pertence a Google. Já a Titan e os respectivos drones para espalhar conectividade foram cancelados no início deste ano.