Uma estação geotérmica pode dar-nos água quente e carros menos poluidores

O CO2 que resulta da estação geotérmica junto à Lagoa Azul, na Islândia, é transformado em metanol e usado para mover carros de forma mais ecológica.

Foto de Jonathan Percy via Unsplash

A estação geotérmica de Svartsengi junto à Lagoa Azul, na Islândia, é uma fonte de água quente para quem queira dar um mergulho e passar um bom bocado naquela paisagem natural. A água aquecida e que é despejada na lagoa resulta da produção de energia que acontece naquela fábrica, podendo ser aproveitada pelos banhistas enquanto não volta à fábrica. É um ciclo de reaproveitamento que a estação de Svartsengi decidiu passar a fazer também com o CO2 libertado.

O CO2 (ou dióxido de carbono) não vai ter o mesmo ritmo de entrada e saída que a água. Em vez de ser totalmente libertado para a atmosfera, prejudicando o meio ambiente, uma parte desse CO2 está a ser transportado para uma pequena central eléctrica próxima de Svartsengi, onde será transformado em metanol antes de ser reencaminhado para o Reino Unido.

Segundo a revista Wired, esta semana vão chegar ao Reino Unido 23 mil litros de metanol provenientes deste processo para serem misturados com gasolina, numa proporção máxima de 3% de metanol por litro de combustível vendido numa estação de serviço. Esta mistura não é novidade: a NASCAR fá-la há anos para os seus carros de corrida e, mesmo no Reino Unido, a prática é comum, sobretudo no norte do país. A maior diferença, agora, é o facto de, pela primeira vez, o metanol vir de uma fonte de energia completamente renovável e não de bio-combustíveis.

Enquanto, na Europa, a percentagem de metanol por litro de petróleo fica-se pelos 3% (não por razões de engenharia, mas porque o carro perde a garantia caso esta seja superior), na China o mais comum é chegar-se aos 15%, com o objectivo de reduzir a poluição atmosférica; há mesmo carros com montantes de 85% de metanol e apenas 15% de petróleo. Assim, o total de 23 mil litros será o suficiente para abastecer 40 carros por um ano, segundo a Carbon Recycling International (CRI), responsável pela supra-referida estação eléctrica.

Do lado das refinarias europeias, a incorporação de metanol renovável nos seus produtos petrolíferos é algo que lhes interessa, uma vez que, para mostrar que estão empenhadas na descarbonização dos meios transportes rodoviárias, produzem e distribuem combustíveis com certas percentagens provenientes de fontes renováveis. De acordo com o mais recente relatório das Nações Unidas, a disparidade entre as reduções necessárias e as promessas nacionais feitas no Acordo de Paris é “alarmantemente elevada”.

Claro que combustíveis renováveis são, ainda, mais caros que gasolina ou petróleo em geral. Como diz Benedikt Stefánsson, chefe de desenvolvimento de negócios do CRI, “temos este mundo distorcido em que as companhias de petróleo não precisam de pagar pela poluição que causam, então as pessoas perguntam-nos sempre o mesmo: são competitivos com a gasolina? Mas deveria ser ao contrário, deveriam perguntar às petrolíferas: conseguiriam reduzir as vossas emissões para o mesmo nível que estes? E teriam problemas porque não o fariam, custar-lhes-ia uma enorme quantidade de dinheiro para tal. Eles deviam mesmo ser taxados pelo CO2″.