Xiaomi: a “Apple chinesa” que se prepara para a maior entrada em bolsa desde 2014

Empresa conta valorizar-se em 100 mil milhões de dólares – um nono do que a Apple, empresa mais valiosa do mundo.

A empresa chinesa Xiaomi – actualmente uma das maiores potências no mercado dos smarthphones – vai entrar em bolsa. É esperado que consiga captar 10 mil milhões de dólares na sua Oferta Pública Inicial (IPO), aumentando, assim, a sua avaliação para 100 mil milhões de dólares.

Quem é esta Xiaomi que vale tanto?

Lei Jun, fundador da Xiaomi

Quando pensamos em produtos Made in China temos tendência para questionar a sua durabilidade ou qualidade. Lei Jun – por vezes, apelidado de “Steve Jobs chinês”, fundador da empresa chinesa Xiaomi –  veio para contrariar esse estigma. A tecnológica chinesa foi fundada a 6 de Abril de 2010, sendo que só lançou o seu primeiro smarthphone – o Mi 1 – no ano seguinte. Rapidamente a marca ganhou uma enorme dimensão na China ao ponto de se tornar, em 2014, a maior empresa de smartphones do seu país.

Para se ter uma noção, o Mi 1 vendeu 150 mil exemplares em menos de 13 minutos, mais precisamente em 12 minutos e 41 segundos. Apesar de não ter acontecido no dia do seu lançamento (porque a empresa fazia a sua venda faseada em lotes mensais), é um registo incrível para uma marca que ainda não tinha a sua presença vincada no sector. Actualmente, a nível do mercado de smarthphones, só se encontra atrás de nomes de peso, como a Samsung, a Apple e a Huawei. De realçar que a Xiaomi, para além de vender telemóveis, também vende computadores portáteis, televisões, pulseiras inteligentes, drones, uma bicicleta eléctrica e até um robô. Ou seja, uma panóplia de opções tecnológicas acessíveis para fazer as delícias do consumidor e para preencher o maior número de categorias de mercado possível.

A “Apple chinesa”?

Uma das questões que, desde cedo, ficou polemicamente associada à Xiaomi foram as parecenças entre os seus produtos e os da Apple, quer ao nível do hardware como relativamente ao software. O CEO da fabricante chinesa tinha até um modo de apresentação próximo ao de Steve Jobs. A comparação entre a Xiaomi e a Apple era, por isso, quase inevitável – tanto que chegou a ser apelidada de “a Apple chinesa”.

 

A principal diferença residia nos preços. Os produtos da Xiaomi eram muito mais baratos que os da Apple e isso terá permitido à empresa crescer nos primeiros ano, principalmente no seu mercado doméstico – em notoriedade e em vendas.

Uma mudança de filosofia

Em 2016, a Xiaomi sofreu um revés nas suas aspirações e, segundo a Wired, passou do primeiro lugar da tabela em vendas na China para o quinto posto. Uma queda abrupta, que não estava naturalmente nos planos de Lei Jun, e nenhuma tecnológica, até à data, tinha recuperado de um desaire desta dimensão. Apesar desta baixa significativa, a Xiaomi “reergueu-se das cinzas” e nos dias de hoje é apelidada de “Fénix chinesa” devido à sua rápida recuperação.

E se no seu início era acusada de plagiar, nos dias de hoje a empresa sediada em Beijing tem uma filosofia própria de marca e uma variedade de produtos tão vasta como a que referimos anteriormente – não é uma marca de smartphones apenas como a OnePlus, por exemplo. Contratou pessoas importantes como o antigo líder da Android, Hugo Barra, que acabou por deixar a empresa em 2017 alegando preocupações com a sua saúde e que hoje está à frente dos esforços de AR/VR do Facebook.

Hugo Barra tornou-se um dos rostos mais conhecidos da Xiaomi

A Xiaomi continua a expandir-se a nível internacional. Prova desse esforço é a sua recente associação à CK Hutchison, empresa líder no retalho e nas telecomunicações. Este acordo vai permitir que a expansão da marca acelere a nível internacional com a venda dos seus produtos a um preço acessível para os consumidores.

A entrada em bolsa

Para quem não está dentro do assunto, uma Initial Public Offering (IPO), em português Oferta Pública Inicial, significa que as ações de uma empresa são vendidas ao público no geral. Acaba assim por se tornar uma empresa de capital aberto.

A Xiaomi já deu entrada dos papéis para realizar a sua oferta na bolsa de valores de Hong Kong – 10 mil milhões de dólares –  e espera tornar-se na maior potência daqui a quatro anos. Numa operação prevista para Julho, a empresa espera que o seu valor de mercado atinga os 100 mil milhões de dólares – um nono do que a Apple, empresa mais valiosa do mundo, consegue. Basicamente trata-se de uma estratégia Anti-Apple, ou seja, enquanto a marca americana se estabelece sendo premium – custos elevados dos gadgets –, a chinesa procura comercializar os seus produtos o mais barato possível para chegar a mais pessoas a nível mundial.

Para a fase seguinte, o director executivo da Xiaomi afirma que é importante não se tornar numa empresa de hardware. Isso significa que vai depender muito de serviços online lucrativos, desde pagamentos, streamings e gaming, em vez de vendas de gadgets.

É caso para dizer: it’s time to copy China.