A pegada ecológica do turismo não é pequena

Poderão ser necessárias medidas fiscais para colmatar este problema.

Um estudo publicado na Nature Climate Change revela que a indústria do turismo é responsável pela emissão de mais gases de efeito de estufa do que se estimava, cerca de quatro vezes mais.

Até agora só se tinha em consideração a pegada ecológica deixada pelos meios de transporte para chegar ao destino, o que punha esta indústria responsável por 2,5-3% das emissões. Quando se tem em conta o impacto dos serviços usados já durante as estadia (desde o alojamento, alimentação, transporte local, a compra de todos aqueles souvenirs, etc), o valor percentual de antes aumenta para 8%. “Com cada vez mais pessoas com um nível de rendimento que lhes permite viajar, e com o custo das viagens cada vez menor, as emissões aumentam muito rapidamente, visto ser uma actividade de alta densidade de emissões”, diz Jukka Heinonen, professor de engenharia civil e ambiental na Universidade da Islândia.

Para pequenos países insulares como as Maldivas, Maurícias, Chipre e Seychelles, 30 a 80% das emissões de carbono per capita são provenientes do turismo internacional, deixando-os vulneráveis aos seus efeitos.

Em 2009, a TAP foi a primeira companhia aérea a ter um programa de offset de emissões de carbono em conjunto com a IATA (International Air Transport Association). Esta ferramenta permite aos passageiros compensar as emissões de carbono das suas viagens fazendo uma contribuição para projetos de redução de carbono em países em desenvolvimento e está disponível aquando da compra do bilhete. O CEO da companhia na altura, Fernando Pinto, disse que “o offset não é uma cura para as alterações climáticas. Mas é uma medida responsável até que a tecnologia nos torne livres de carbono. É um esquema voluntário, mas estamos confiantes de que será popular com os nossos passageiros pois acreditamos que a protecção do planeta é uma preocupação de todos.”

Outras companhias, como a Emirates por exemplo, comprometem-se a assumir a responsabilidade total por minimizar as emições de carbono. Há também organizações como a Native Energy, a Atmosfair e a Climate Care que permitem fazer doações diretas para projectos de sustentabilidade, disponibilizando calculadoras que medem emissões, não só de viagens de avião, mas também de carro e gastos em casa, por exemplo.

Ainda assim, o grande aumento das viagens aéreas (crescimento de 4% por ano) supera qualquer ganho conseguido pelo offset das emissões, e este não é um corte directo da emissões, o que seria mais eficaz. O estudo diz ainda que pelo menos 15% das emissões globais relacionadas com o turismo não estão sob qualquer meta vinculativa de redução, uma vez que as emissões da aviação internacional e do transporte marítimo não foram incluídas no Acordo de Paris. Além disso, o país com a mais significante fonte de emissões turísticas não suporta sequer o acordo.

Também o sucesso das estratégias de mitigação dos efeitos propostas pela UNWTO (United Nations World Tourism Organisation) — encorajar os viajantes a preferir destinos de curta distância com um maior uso dos transportes públicos e menor da aviação, e fornecer ao mercado incentivos para os operadores de turismo melhorarem a sua eficiência energética — é agora posto em causa, pois nem comportamentos de viagem responsáveis nem as melhorias tecnológicas foram capazes de conter o aumento da pegada de carbono do turismo.

É assim sugerido que poderá ser necessária a adopção de impostos sobre o carbono ou esquemas de comércio de emissões (principalmente na aviação) para reduzir o crescimento futuro das emissões neste sector.