O projecto de arquitectura que deu a Souto de Moura um Leão de Ouro em Veneza

A par do Prémio Pritzker, é uma das mais importantes distinções com que um arquitecto pode ser honrado.

Está a decorrer em Veneza a Bienal de Arquitectura 2018 e há um português entre os premiados. Eduardo Souto de Moura recebeu, este sábado de manhã, um Leão de Ouro pela sua participação na mostra internacional, este ano dedicada ao tema do “espaço livre”.

O Leão de Ouro é a máxima distinção que se pode receber na Bienal de Arquitectura de Veneza e é, a par do Pritzker, que Eduardo Souto de Moura ganhou em 2011, um dos mais importantes prémios com que um arquitecto pode ser honrado. Nesta edição da Bienal, participavam 71 arquitectos, entre os quais três portugueses – Álvaro Siza Vieira e Inês Lobo, além de Souto de Moura.

Souto de Moura foi premiado pelo complexo de São Lourenço do Barrocal, um projecto de arquitectura que consistiu na recuperação de um grande monte alentejano e na sua transformação numa unidade turística. Fica perto de Monsaraz, no Alentejo.

Souto de Moura Veneza

À agência Lusa, Eduardo Souto de Moura referiu que o Leão de Ouro é um “valor e do nível da arquitectura portuguesa”, que “cada vez é mais reconhecida nos sítios que exigem mais qualidade”. O arquitecto português acrescentou que o pavilhão de Portugal na Bienal era “dos melhores, com um conjunto de arquitectos que não é fácil encontrar”.

Doze edifícios públicos criados por arquitectos portugueses de várias gerações e filmes de quatro artistas constituem o pavilhão de Portugal – uma exposição intitulada “Public Without Rethoric” e instalada no Palazzo Giustinian Lolin, sede da Fundação Ugo e Olga Levi, junto ao Grande Canal na cidade italiana.

Comentando o complexo turístico de São Lourenço do Barrocal, Souto de Moura referiu que foi “um projecto muito difícil, porque não é radical”. “Já fiz outros projectos mais modernos, mais antigos, este era a procura de um tom que não destruísse o ambiente do edifício e da paisagem. É um projecto de risco porque estava quase no limite do pastiche [obra em que se imita abertamente o estilo de outros artistas], era uma imitação do antigo”, explicou à Lusa.

A Bienal de Arquitectura de Veneza abriu ao público na cidade italiana este fim-de-semana e só encerrará no dia 25 de Novembro, dividindo-se entre os pavilhões históricos do Giardini, do Arsenale e do centro histórico de Veneza. Souto de Moura foi um dos 71 arquitectos convidados pelas curadoras Yvonne Farrell e Shelley McNamara, do Grafton Architects, para a exposição principal, espaço expositivo além dos pavilhões nacionais.

A capela de Souto de Moura para o Vaticano

Além do complexo turístico de São Lourenço do Barrocal, Eduardo Souto de Moura está na Bienal também com outro projecto, este no pavilhão do Vaticano. É a primeira vez que a cidade-estado participa na mostra em Veneza, tendo convidado arquitectos a projectar capelas que só após a Bienal serão instaladas em diferentes partes do mundo.

Este foi o trabalho de Souto de Moura:

Fotos de Nelson Garrido e Laurian Ghinitoiu