Souto de Moura apresenta projecto para o Hub Criativo do Beato em Lisboa

Dias depois de receber um Leão de Ouro em Veneza, o arquitecto português apresentou em Lisboa o projecto que vai levar para o Beato um spin-off da Super Bock.

Souto de Moura Beato

Depois do Leão de Ouro em Veneza, o arquitecto Eduardo Souto de Moura revelou esta manhã, em Lisboa, o seu projecto de renovação de um dos edifícios do Hub Criativo do Beato. “Acho que este empreendimento tem os materiais e formas todas, é preciso inventar muito pouco”, comentou o arquitecto durante a apresentação pública daquela que será a futura casa da Super Bock no novo pólo de empreendedorismo e inovação da capital portuguesa.

Eduardo Souto de Moura foi desafiado a converter um antigo armazém industrial de 700 metros quadrados numa pequena cervejeira, onde, além de produção de cervejas em pequena escala, existirá uma zona de restauração e uma área para eventos. Sem meias medidas, o arquitecto português apresentou a uma audiência composta por responsáveis da Câmara Municipal de Lisboa, da Startup Lisboa e do Super Bock Group, jornalistas e público em geral os detalhes do que projectou – em conjunto com o arquitecto Nuno Graça Moura – para aquele edifício, salientando, durante a apresentação, que estava a falar em nome próprio e que o projecto ainda padece de aprovação tanto da autarquia como do Super Bock Group.

“Propunha” e “gostava” foram, assim, verbos conjugados utilizados com frequência por Souto Moura, enquanto mostrava à audiência os pormenores do projecto. O arquitecto – premiado não só com um Leão de Ouro mas também com um Pritzker, as duas mais importantes distinções do ramo – quer ver uma zona de serviços, com lojas relacionadas com cerveja de um dos lados, quer que o depósito de água, actualmente fechado, se torne transparente na malha urbana e quer ainda aproveitar os candeeiros exteriores – é “falar com a EDP”, disse.

“É um espaço que tem de ser tratado com carinho, como se fosse uma avó, que também é muito frágil e precisa de carinho”, explicou o arquitecto português, referindo-se ao projecto de arquitectura que pensou para aquele edifício e que que aproveita o que já existe (estruturas, pormenores, materiais, etc) para adaptar a área ao seu novo propósito. Na sala interior de geometria rectangular, Souto de Moura propõe mudar uma das estruturas já existentes de sítio para fazer um palco numa das pontas. Elogiando o “azulejo lindíssimo que ainda se faz” e que reveste grande parte da sala, o arquitecto admitiu que “o problema maior vão ser os vidros”, mas referiu que “temos estofo” para resolver com vidros laminados e vidros duplos que não mudem a expressão e que criem uma parede de luz. Souto de Moura pensou ainda num ecrã para “projecção de filmes” ou de outros conteúdos, em manter uma velha ponte industrial não para ser “pitoresco” mas porque é útil para nela encaixar uma “linha de holofotes para iluminar o palco” e ainda na acústica do espaço com vista à realização de concertos, por exemplo.

O arquitecto disse ter visitado espaços de cerveja na Alemanha e Holanda. “Fiquei encantado com estas lojas e este colorido! Espaço para comer e beber, palco”, comentou. As obras de reabilitação do espaço deverão arrancar em Setembro de 2018, prevê-se a inauguração ao público um ano depois, em Outubro de 2019.

O renovado espaço será baptizado de Browers Beato e vai ser gerido pela The Browers Company, um spin-off do Super Bock Group. Ou seja, quando for inaugurado em Outubro de 2019 não se verá branding da Super Bock mas antes esta nova marca. O Super Bock Group diz que vai investir 3 milhões de euros para dar vida ao Browers Beato. As cervejas que serão produzidas em pequena escala no local vão conviver com outras marcas de cerveja nacionais e internacionais, um espaço de restauração promovido pelo Grupo Multifood do magnata Rui Sanches, proprietário de cadeias como o Honorato, o Vitaminas e o Wok To Walk. O objectivo é o Browers Beato acompanhar a dinâmica vivida pela comunidade empreendedora e criativa instalada no Hub Criativo do Beato e na sua envolvente e será, por isso, também um espaço para realização de eventos que tenham a cervejaria como pano de fundo.

“Aquilo que queremos fazer no Hub Criativo do Beato é comunidade”, comentou Miguel Fontes, director executivo da Startup Lisboa, que está a comandar todo o projecto de reabilitação daquelas antigas instalações militares. Miguel salientou a importância de ter os parceiros certos para um plano de tamanha envergadura, ideia reiterada mais tarde por Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O autarca acrescentou que o Hub Criativo do Beato é a concretização da “promessa adiada” de reabilitação do território entre Santa Apolónia e o Braço de Prata e congratulou-se por, finalmente, já existirem datas para início de obras e aberturas ao público. Medina avançou ainda que, além do Hub Criativo do Beato na ala sul da antiga manutenção militar, poderá avançar depois de 2020 a reabilitação da ala norte.

“O que vai nascer a norte não será exactamente a réplica disto aqui [Hub Criativo do Beato] porque tal não faria sentido. Faz sentido que isto seja visto de forma complementar a nível dos usos”, comentou o Presidente durante a apresentação pública, antes de, aos jornalistas, falar na recuperação de um teatro com capacidade para 800 pessoas, na ampliação de uma cresce e na reabilitação de uma quinta como zona de lazer, além de espaços de co-working.