Co-fundador do WhatsApp deixa quadro de direcção do Facebook

Jan Koum anunciou ontem o seu afastamento da empresa Facebook que integrava depois da compra do WhatsApp pela companhia liderada por Mark Zuckerberg.

Whatsapp Vermelho

O nome pode não te dizer absolutamente nada mas foi um dos homens responsáveis pela criação e manutenção do WhatsApp e é a mais recente vitima dos escândalos que têm abalado o Facebook. Jan Koum anunciou ontem o seu afastamento da empresa Facebook que integrava depois da compra do WhatsApp pela companhia liderada por Mark Zuckerberg.

A decisão do executivo foi comunicada no post de Facebook onde Jan revelou sentir-se emocionado com a decisão e orgulhoso com a dimensão que o serviço criado por uma pequena equipa como a que deu início ao WhatsApp atingiu.

It's been almost a decade since Brian and I started WhatsApp, and it's been an amazing journey with some of the best…

Publicado por Jan Koum em Segunda-feira, 30 de Abril de 2018

Sobre o seu futuro não deixa muitas pistas, apenas que aproveitará os próximos tempos para se afastar da prisão tecnológica e se dedicar a actividades ao ar livre.

Koum segue assim as pisadas de Brian Action que no ano passado também deixou a liderança da empresa e agora é um dos investidores de referência do rival Signal.

Apesar de não ser claro sobre os motivos na sua nota escrita, o jornal Washington Post aponta o escândalo de má utilização de dados como o principal promotor do conflito. Jan e Brian juntaram-se em 2009 para criar o WhatsApp prometendo comunicações encriptadas por apenas 99 cêntimos por mês — um plano antagónico àquele que a empresa assumiu depois de se juntar ao Facebook. A sua posição contra modelos de negócios baseados em publicidade já era de resto bem conhecida — em 2012, numa publicação no blog do Whatsapp os co-fundadores deixavam explícito que consideravam o modelo de negócio assente em anúncios como uma disrupção na estética e um insulto à inteligência dos utilizadores.

A confirmação da má utilização dos dados por parte de empresas como a Cambridge Analytica poderá ter sido portanto a gota de água necessária para fazer transbordar o copo das preocupações de Jan com a privacidade dos utilizadores.

No princípio a aplicação requeria apenas o número de telemóvel de quem a quisesse utilizar e quando foi comprada pelo Facebook, a equipa de Zuckerberg garantiu que lhes concederia a independencia total. Meses depois o cenário alterou-se por completo e a utilização do Whatsapp para recolha de dados dos internautas deve estar na base do conflito.

Esta mudança de posição do Zuckerberg & Cia em relação aos designios do Whatsapp já foi de resto julgada nos tribunais europeus onde o Facebook se viu obrigado a desembolsar 122 milhões de euros por falsas declarações no momento da compra.

Em resposta à publicação de Jan Koum surge um comentário de Mark Zuckerberg agradecendo os ensinamentos de Jam no que toca a encriptação e poder descentralizado e uma mensagem — que vale o que vale — reforçando que esses valores serão sempre centrais na gestão do Whatsapp.

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