Um site que te mostra como as pesquisas no Google também afectam o ambiente

Sabias que as tuas pesquisas no Google também têm um custo para o ambiente?

Imagem: Google

As alterações climáticas têm sido mote para incentivo a mudanças nos padrões de consumo, novas perspectivas e inúmeras discussões acerca do futuro do planeta Terra. Contudo se existem indústrias que facilmente associamos a um comportamento abusivo na utilização de recursos naturais e consequente degradação do planeta, outras nem tanto…

Sabias que as tuas pesquisas na internet também tem um custo para o ambiente? Calma, não vem aí nenhum discurso paternalista para deixares de utilizar a internet até porque a redação deste artigo ou a tua leitura já deixaram a sua marca no planeta.

A verdade é que ao longo do tempo fomo-nos acomodando à ideia de que a internet é uma nuvem, esquecendo os seus componentes e as infraestruturas físicas, como as centenas de quilómetros de cabos submarinos, servidores, routers e a quantidade absurda de recursos utilizados para gerar a energia necessária para o funcionamento de tudo isto.

 

“Quase ninguém se lembra que a internet é composta de infraestruturas físicas interligadas que consomem recursos naturais” — é o mote escolhido pela artista e investigadora Joana Moll, que tem vindo a analisar a componente física da Internet, e, através de dados disponibilizados pela Google, criou o CO2GLE, um contador online capaz de te dizer a poluição gerada por um simples “google it”. Apesar de todos os esforços e mudanças das empresas — incluindo a própria Google, empenhada na utilização de energia renováveis – a maioria da energia utilizada na internet provém de fontes não renováveis, responsáveis por severas emissões de dióxido de carbono (CO2).

O que estou a tentar fazer é desencadear pensamentos e reflexões sobre a materialidade dos dados e a materialidade do nosso uso da Internet diariamente” — O CO2GLE faz os cálculos utilizando dados públicos de 2015. Por exemplo, transmissão de 1 GB de informação traduz-se em estimativa em 13 kWh, o que equivale a 7,07 kg de CO2. Moll acrescenta ainda outro exemplo simples mas bastante elucidativo: como o Google.com pesa 2 MB e processa cerca de 47.000 solicitações por segundo, a página emite 500 kg de emissões de CO2 por segundo. São 300 toneladas de CO2 por minuto. A Google afirmou em 2009 que emite 0,2 gramas de CO2 por pesquisa, mas a consultora ambiental Carbonfootprint apresenta dados mais alarmantes, indicando que esse valor pode estar entre 1 kg e 10 kg por pesquisa.

 

Ecosia, o motor de busca que planta árvores

 

Em declarações ao Quartz, Joana Moll afirma que os “dados são muito poluentes”. Um estudo publicado em 2015 mostra que toda a actividade na internet resulta em tanta emissão de CO2 quanto a indústria aeronáutica. A Google, em particular, processa cerca de 3,5 bilhões de pesquisas por dia, sendo responsável por aproximadamente 40% da emissões de carbono associadas à internet.

Um porta voz da Google, em declarações ao Co.Design, afirmou que os números de Moll estão incorrectos ou desactualizados não deixando de elogiar o trabalho da artista “por aumentar a consciencialização sobre a pegada de carbono da Internet.”. O porta-voz da empresa adiantou ainda que “as emissões associadas a um utilizador dos serviços da Google durante um mês equivalem, em média, às emissões produzidas por um carro durante 1 milha (cerca de 1,6 km).”

Como medir o CO2 em gramas ou toneladas pode tornar-se pouco prático e de difícil interpretação para a maioria das pessoas. Joana Moll tem ainda outro projecto de intervenção para desbravar mentes. O Deforest é um site onde podes ver que cada segundo gasto no Google, obriga 23 árvores “a trabalhar” em processo de fotossíntese para absorver todo o CO2, resultante da tua actividade nesse pequeno instante.

 

 

Os projectos de Joana Moll tem como foco principal o Google, mas a empresa está longe de ser a única responsável pelas elevadas emissões de carbono derivadas do uso da internet. O Facebook, por exemplo, revelou em 2016 que os seus centros de dados e de operações resultaram em 718 toneladas de produção de CO2, equivalente à emissão de 77.500 casas norte-americanas alimentadas com electricidade.