Uma app para facilitar a distribuição da comida desperdiçada

Uma espécie de ReFood mas no telemóvel.

Pode parecer aquela sensação de que há uma app para tudo, mas por vezes a tecnologia pode mesmo ser um facilitador logístico. Na verdade, quão prático pode ser chamar através do smartphone alguém para recolher as sobras alimentícias – num mundo que parece cada vez mais gerido pela comodidade, talvez uma app, para além dos serviços voluntários como o ReFood, possa ajudar a que essa comida vá parar a quem tenha fome a não para o lixo.

Essa app existe, pelo menos, nos Estados Unidos e tem como público-alvo donos de estabelecimentos de restauração. Chamada Goodr, foi criada em 2016 por Jasmine Crowe, que se auto-intitula uma activista e empreendedora “anti-fome”.

A Goodr permite a restaurantes, cafetarias, empresas de catering, etc… registarem-se para doar as sobras das refeições a organizações sem fins lucrativos, que possam fazer chegá-las a quem mais precisa delas.

Através de uma app para smartphone, quem tem comida a mais pode sinalizá-la e agendar a sua recolha. A Goodr disponibiliza embalagens para o acondicionamento das sobras e o respectivo transporte. Todas as trocas são guardadas numa base de dados baseada em Blockchain, existindo, por isso, um registo digital – transparente e inalterável – que mostra todos os que deram alimentos e o seu destino, evitando-se desvios possíveis mal intencionados.

Uma das recolhas de comida

Para cada oferta de comida, a Goodr calcula o impacto financeiro e social do doador, isto é, quanto conseguiu poupar em impostos e qual a quantidade de desperdício alimentar que evitou ao longo do tempo. Pelas mãos das Goodr já passaram mais de 400 mil quilos de comida, cerca de 850 mil refeições, segundo o Fast Company.

A empresa de Jasmine Crowe cobra aos restaurantes uma taxa pelas recolhas, que pode variar entre os 2 500 e 15 000 dólares, dependendo do tamanho, estimando que por cada dólar gasto nos seus serviços a entidade doadora poupa 14 dólares em custos e deduções de impostos.

De acordo com a Fast Company, a Goodr está fazer cerca de 30 mil dólares por mês em receitas, sendo o objectivo fazer um milhão de dólares anuais no próximo ano, permitindo a expansão do negócio para outras cidades norte-americanas além de Atlanta, onde o serviço nasceu, e quem sabe para outras partes do mundo. De resto, a empresa de Crowe foi em Fevereiro de 2018 aceite numa das incubadores virtuais mais afamadas, a Techstars.

Jasmine Crowe, fundadora da Goodr no TEDxPeachtree