Filmes sobre liberdade para te libertar de manias, preconceitos e maus hábitos

Uma lista que para além de grandes filmes, cita grande cineastas na exploração destas questões como Milos Forman, Yorgos Lanthimos ou Jafer Panahi, de quem facilmente poderiamos ter escolhido outro título.

lista filmes sobre liberdade

Tal como na lista de filmes que fizemos sobre a temática Informação, também a Liberdade adquire diversas formas, feitios e expressões. Mais uma vez, reunimos algumas das nossas preferências — um misto de filmes contemporâneos e clássicos imperdíveis — para, em resumo, te incentivar a pensar sobre os limites e os constrangimentos da tua liberdade. Estados opressores, normas sociais, burocracia indecifrável ou os próprios contornos da liberdade humana em conflito com a ética são os ingredientes principais desta lista que para além de grandes filmes, cita grande cineastas na exploração destas questões como Milos Forman, Yorgos Lanthimos ou Jafer Panahi, de quem facilmente poderíamos ter escolhido outro título.

One Flew Over the Cuckoo’s Nest

O filme de Milos Forman de 1975 conta a história de Randle Patrick McMurphy, um preso de espírito livre que simula estar louco para não ser sujeito a trabalhos forçados na cadeia e acaba por ir para uma instituição para doentes mentais, onde lidera uma rebelião contra as rígidas normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched, sem saber o que lhe vai custar. Adaptado do romance homónimo de Ken Kesey, o filme conta com Jack Nicholson no papel principal e foi um dos três filmes a ganhar Óscares nas cinco categorias principais: melhor filme, melhor realizador, melhor argumento, melhor actor e melhor actriz.

Prova d’orchestra

A história gira em torno de um ensaio de uma orquestra. Quando os músicos chegam para tocar, numa bastante cinematográfica capela romana, tomam conhecimento da presença de uma equipa de reportagem televisiva, que está no local para gravar um documentário. Durante um breve intervalo para conceder uma entrevista aos jornalistas, o maestro alemão, distante e aristocrático, perde o controlo da sua orquestra, que reencontra em estado de revolta. O que os trará de volta à música? Prova d’orchestra é a homenagem do mestre Federico Fellinni à arte da música, uma das paixões da sua vida. Fundamental tanto para músicos como para cinéfilos, o filme de 1979 foi o último cuja banda sonora foi composta pelo genial Nino Rota.

Cry Freedom

O drama britânico de 1987 realizado por Richard Attenborough, situa-se no final de 1970, durante a era do apartheid na África do Sul. O argumento foi adaptado dos livros do jornalista Donald Woods que escreveu sobre a sua amizade o activista negro Steve Biko. Com Denzel Washington e Kevin Kline, Cry Freedom é um ensaio sobre a discriminação, a corrupção política e as repercussões da violência.  Depois de ter conhecimento dos verdadeiros horrores do apartheid, através das descrições de Biko, Woods descobre que o seu amigo foi silenciado pela polícia. Determinado em levar a verdade ao conhecimento de todo o mundo, Woods embarca numa perigosa aventura para escapar da África do Sul e divulgar a história de coragem de Biko.

The Shawshank Redemption

Baseado no conto de Stephen King, The Shawshank Redemption é até hoje considerado um dos melhores filmes de sempre. Conta a história de Andy Dufresne (Tim Robbins) que foi sentenciado a uma pena de prisão perpétua pelo assassinato da mulher e do seu amante. Enviado para a cadeia de Shawshank, Andy, um banqueiro culto e educado, vê a sua vida mudar drasticamente quando conhece Red (Morgan Freeman) por quem terá uma amizade duradoura. à trama juntam-se o director da prisão sem escrúpulos Warden Norton (Bob Gunton) e o seu mais leal servidor, o capitão Hadley (num desempenho assustador de Clancy Brown). Em Shawshank, o tempo passa devagar e os muros do edifício tornam-se cada vez mais acolhedores – ou como diz a personagem de Freeman, passam a ser necessários à vida. A fotografia de Roger Deakins, em constante movimento, retrata o anseio desesperado de Andy pela fuga e a liberdade.

1984

Teria presença obrigatória numa lista de livros sobre o tema porque, se o filme é bom, o livro de George Orwell é perfeito. Como um bom filme distópico, 1984 navega sobre os problemas da sociedade actual enquanto mostra a busca de um homem por liberdade de pensamento e expressão num mundo devastado pela guerra. A história passa-se em Londres, capital da Oceania, uma das três nações que se tornaram potências mundiais — as outras duas são a Eurásia e Lestásia. O filme é inspirado no clássico livro de George Orwell, cuja história foi responsável pela disseminação de termos como “duplipensar”, “crimideia”, “Novilíngua” e o famigerado “Big Brother”. Após a guerra, o mundo passou a ser dominado pelo Partido e pelos seus Ministérios (da Verdade, da Paz, da Fartura e do Amor). Dirigido por Michael Radford, tudo em 1984 é contraditório, expressado por palavras da Novilíngua que são na verdade paradoxos sobre aquilo em que o mundo se transformou. No fundo, é uma história sobre como a elite dominante impõe os seus preceitos ao povo através da opressão massiva de costumes, ideias e pensamentos. Não é muito diferente da sociedade do espectáculo de hoje em dia. No meio de tudo, um homem que trabalha para o governo, Winston Smith, aqui interpretado por John Hurt, começa a questionar se a realidade em que vive é mesmo a correcta. Uma história sobre a procura pela liberdade e também sobre o quão difícil pode ser consegui-la.

Dogtooth

Um filme que fala de como a aparentemente inofensiva educação pode ser uma potente arma de opressão. É um dos primeiros filmes da carreira de Yorgos Lanthimos e um dos que lhe valeu uma boa recepção por parte da crítica tornando-o reconhecido ainda com cinema em língua grega. Conta a história de uma família que vive na reclusão da sua casa e restrita ao seu jardim, onde até a aprendizagem da língua foi subvertida de modo opressivo e promotor da sua alienação.

Leviathan

É um filme pouco comum e talvez por isso mereça o destaque em mais do que uma lista. Realizado pelo russo Andrey Zvyagintsev, é um olhar sobre o dia-a-dia que se vive no interior do gigante país. Acompanha a história de um casal que se vê preso a uma dívida aos mafiosos num registo que ilumina os sombrios preconceitos que se tem acerca do quotidiano russo, mostrando como a corrupção se estabelece como ferramenta de opressão à população que não sabe como a evitar.

This is Not a Film

Documenta a prisão do filmmaker Jafar Panahi, acusado em 2010 de fazer um filme contra o estado/governo iraniano. This is not a film vale não só pela história que conta mas também pelo atribulado processo da sua criação. Durante a rodagem do filme, Jafar Panahi estava a aguardar a decisão final sobre o recurso apresentado face à proibição imposta pelos tribunais iranianos que não autorizavam que captasse imagens ou realizasse filmes. O nível de risco, secretismo e ausência de liberdade presente neste filme ilustra-se pela forma épica como foi transportado do país de rodagem — Irão — até Cannes onde estreou em 2011. This is not a film foi gravado numa pequena pen USB e escondido dentro de um bolo de aniversário para despistar autoridades que o poderiam interceptar numa tentativa de silenciar a sua expressão dissidente o executivo no poder. Este é o filme que antecede Taxi, a sua criação de 2015 que lhe valeu um Urso de Ouro em Berlim e se debruça igualmente sobre os limites da liberdade de uma forma engenhosa e genial.

I, Daniel Blake

Daniel Blake é um carpinteiro de 59 anos no Nordeste da Inglaterra, que sofre um ataque cardíaco e passa a precisar do benefício do Subsídio de Emprego e Apoio (Employment and Support Allowance). Enquanto se esforça para superar a burocracia necessária, conhece Katie, uma mãe solteira e os seus dois filhos, que, para evitar que morem numa instituição para pessoas sem-abrigo em Londres, terá de se mudar para um alojamento a mais de 480 quilómetros de distância da sua terra natal. Uma história sobre quando o estado – que supostamente nos concede e “vende” liberdade – nos retira liberdades garantidas.

Das Leben der Anderen

O filme narra a história de um agente da Stasi, a polícia política da República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) chamado Gerd Wiesler que se envolve num serviço de escutas clandestinas do apartamento de um casal da cena cultural de Berlim Oriental, o escritor Georg Dreyman (Sebastian Koch) e a actriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck). Mais tarde, vê-se envolvido na vida não-tão-privada do casal e tem um papel decisivo nos seus destinos.

Spring Breakers

Qualquer que seja o tema, se em foco quisermos pôr o século XXI e a geração Millenial,  Spring Breakers é sempre uma opção. Adorado por uns, odiado por outros, o filme de Harmony Korine é, tal como Kids, um retrato geracional profundamente inspirado na estética contemporânea. Desde o elenco escolhido a dedo nos catálogos dos filmes da Disney, até à personagem de James Franco inspirada no real rapper Riff Raff, este é o filme certo para que sem nos apercebermos nos quedarmos a pensar sobre liberdade de estilos de vida, os seus prós e contras. Spring Breakers faz da vida um jogo em que Gucci Mane é o boss final, à imagem da experiência que cada vez mais tiramos da realidade mediada pelos devices e social media.