Clube israelita muda nome em homenagem Trump e outras consequências da sua decisão histórica

O até aqui F.C. Beitar Jerusalém passa agora a chamar-se “F.C. Beitar Trump Jerusalém”, numa homenagem ao Presidente norte-americano por ter alterado a localização da Embaixada.

Donald Trump Jerusalém

É inaugurada, esta segunda-feira, em Jerusalém a polémica embaixada norte-americana, recentemente deslocada da cidade de Tel Aviv. No bairro de Arnona, em Jerusalém, nascerá a nova embaixada dos Estados Unido naquele país díspar do Médio Oriente – um marco histórico da política internacional de Donald Trump.

A decisão foi amplamente comentada, merecendo críticas de vários quadrantes da sociedade civil, por ignorar a diplomacia que prevalecia até então, mas as provas de que agrada a grandes grupos de israelitas independentemente de fugir ao consenso global são inegáveis.

A cidade de Jerusalém mantinha-se terreno isento e de mínima actuação política por ser considerada um local sagrado tanto para palestinianos como israelitas; numa designação da ONU de 1947, Jerusalém, foi inclusivamente considerada “corpus separatum”, numa assunção do seu carácter internacional muito particular. A decisão de Trump de alterar a embaixada dos EUA para este local ignora essa deliberação, criando um epicentro político num local até então isento e abrindo precedente para avanços políticos até aqui impossíveis.

FC Beitar é agora… FC Beitar Trump Jerusalém

O último sinal da receptividade e felicidade de alguns israelitas nesta questão foi dado no mundo do futebol. Um dos principais clubes de futebol de Israel – de Jerusalém –, o Beitar, decidiu acrescentar ao seu nome “Trump”. O anúncio foi feito no Facebook. num post em inglês e hebraico. com elogios ao POTUS por revelar coragem e amor a Israel.

O até aqui F.C. Beitar Jerusalém passa agora a chamar-se “F.C. Beitar Trump Jerusalém”, numa homenagem ao Presidente norte-americano que assumiu este passo – previsto mais adiado desde 1995 pelos sucessivos presidentes norte-americanos.

O clube de Jerusalém, de resto, sempre teve a si associado uma mensagem nacionalista e, de certo modo, anti-árabe. Em 2016 em declarações à agência EFE, um membro da claque do Beitar esclareceu mesmo que uma das frases dos cânticos mais populares refere “Somos o clube racista do estado”, na sequência de uma operação policial que resultou em mais de 80 membros da claque detidos por associação a actividades criminosas de vários tipos. Outro dado curioso é que Beitar é o único clube israelita no qual nunca participaram jogadores muçulmanos. Na única altura em que isso esteve para acontecer, segundo a agência EFE, os adeptos terão mesmo incendiado algumas das instalações do clube, como forma de expressar o seu desagrado.

Outras consequências políticas e sociais

Na sequência dessa mesma decisão política também os confrontos entre palestinianos e israelitas se agudizaram durante o início desta semana. Recorde-se que decorre até terça-feira a marcha do Retorno, conhecida manifestação palestiniana junta das fronteiras impostas e defendidas pelo Estado de Israel e pela Israeli Defense Force. À concentração popular e à aproximação dos manifestantes da vedação, o exército israelita tem respondido com fogo de snipper. Só nesta segunda feira, segundo reporta a imprensa internacional, já terão sido mortas 37 pessoas e feridas mais de 500, fazendo deste dia o 2º mais sangrento desde 2014.

A concentração de palestinianos junto da vedação foi especialmente incentivada para esta segunda devido à inauguração da embaixada norte-americana, a que os palestinianos logicamente se opõe. Altas instâncias israelitas negam o uso desproporcional da força, alegando que vêm nos protestos uma ameaça séria. De resto, ainda esta segunda-feira, aviões largaram panfletos sobre a zona de origem dos manifestantes, procurando dissuadi-los de estarem presentes, com uma mensagem: “Estás a participar em protestos violentos. Salva-te e prioriza o teu futuro.”

Do lado de Israel, a tese é de que os protestos são incentivados por uma organização que consideram de índole terrorista, o Hamas, que, por seu turno, reitera defender soluções pacíficas. Para balanço ficam os números: desde 30 de Março, início das manifestações junto da Faixa de Gaza, já morreram 58 palestinianos, enquanto do lado de Israel e – apesar das alegações de perigo e do sentimento de ameaça descrito – não há nenhuma morte a registar.

Outro ponto importante que não foi deixado ao acaso foi a data da inauguração. Esta semana os israelitas celebram os 70 anos da criação do estado israelita, enquanto os palestinianos recordam o “Nakba”, a deslocação de palestinianos dos seus territórios pelo mesmo motivo.