Cidade do Cabo livrou-se, para já, de ficar sem água

A Cidade do Cabo, na África do Sul, enfrentou no início deste ano uma alarmante crise provocada pela escassez de água. Atualmente, e se continuar a cumprir as suas medidas impostas, manter-se-á livre de perigo.

Foto de Tim Johnson via Unsplash

E se um dia acordasses com a notícia de que a água estava quase a acabar na tua cidade? Foi isso que aconteceu a perto de 4 milhões de pessoas na Cidade do Cabo, África do Sul, no início deste ano. A presidente da Câmara, Patricia De Lille, alertou a população que em 90 dias, se não alterassem os padrões de consumo, este bem essencial ia acabar na cidade e o temido “dia zero” iria chegar.

O “dia zero” é o dia em que as torneias domésticas deixam de jorrar água. Nesse cenário, a população teria de se deslocar até um dos 200 pontos municipais de fornecimento de água, onde cada pessoa só poderia recolher um máximo de 25 litros por dia.

Como resultado desta emergência, as autoridades sul africanas impuseram fortes medidas para reduzir o consumo de água, restringindo-o a 50 litros de água por dia (equivalente a puxar o autoclismo 5 vezes). Agora, com a actualização da situação, o limite foi estabelecidos nos 87 litros por dia, mas mesmo assim estima-se que apenas 55% da população esteja a cumprir a essa regra, apesar de as entidades competentes terem alertado que quem excedesse o limite estaria obrigado a pagar multas e que cada utilizador deveria ter um dispositivo que fechasse a água quando o limite fosse ultrapassado.

Aurélie de Sousa, emigrante portuguesa na Cidade do Cabo, está a enfrentar esta dura realidade e refere, ilustrando a dificuldade de racionamento: “O meu banho não pode ultrapassar os 90 segundos. Esses 90 segundos contam a partir do momento em que abro a torneira”.

Nem imaginam o que consegui hoje!!Consegui comprar água. 6 litros ao certo.Porque raio isso me faz feliz?Aqui em…

Publicado por Aurélie de Sousa em Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018

Passados 3 meses e graças à consciencialização da população e aos que cumpriram as normas, a Cidade do Cabo parece estar a livrar-se do perigo mais severo. O futuro, esse, ficará dependente da época de chuva e da população continuar a respeitar as medidas de conservação de água.

Para enquadramento do assunto, percebermos as diferenças e as restrições impostas ao povo sul-africano basta observarmos os dados nacionais: a discrepância é evidente. Atualmente, cada português gasta em média 187 litros de água por dia, e em Lisboa, os números são ainda mais perturbadores: 281 litros por pessoa. Um dado que se explica atendendo ao facto de o consumo de água não se resumir apenas àquela que chega às torneiras, mas também aos gastos no comércio, na indústria e na agricultura.