Cambridge Analytica vai fechar portas (depois do escândalo do Facebook)

Empresa usou dados de mais de 87 mil utilizadores do Facebook, sem consentimento, na campanha digital de Donald Trump.

Alexander Nix Cambridge Analytica

A Cambridge Analytica, empresa que esteve envolvida na campanha eleitoral de Donald Trump e que esteve debaixo dos holofotes no recente escândalo com o Facebook, vai fechar os escritórios nos Estados Unidos e no Reino Unido, juntamente com a sua empresa-mãe, a SCL Group.

A notícia do fecho da Cambridge Analytica foi avançada esta quarta-feira ao final do dia pelo Wall Street Journal, com confirmação de Nigel Oakes, fundador da SCL Group. A empresa britânica de dados – que já tinha demitido Alexander Nix, o principal rosto do caso Cambridge Analytica Files – iniciou um processo de insolvência no Reino Unido e um de falência nos Estados Unidos.

A Cambridge Analytica tinha três escritórios norte-americanos (dois em Washington DC e um em Nova Iorque) e a sua sede em Londres. A empresa tinha sido parcialmente fundada pelo multi-milionário Robert Mercer, próximo Steve Bannon, um dos confidentes de Trump. O Facebook e a Cambridge Analytica trabalharam lado-a-lado na campanha digital do agora Presidente dos Estados Unidos – a empresa liderada por Mark Zuckerberg não sabia, na altura, que a firma britânica estava a usar dados de mais de 87 milhões de utilizadores da rede social, obtidos indevidamente, em campanhas de segmentação na plataforma.

Julian Wheatland, presidente do conselho de administração do SCL Group, tinha sido apontado como sucessor de Alexander Nix na presidência executiva da Cambridge Analytica, mas a magnitude mediática do escândalo envolvendo o Facebook manchou a reputação da empresa, levou à perda de muitos dos seus clientes e, neste contexto, encontrar um novo nome para os serviços prestados pela firma (ao estilo BES/Novo Banco) seria um esforço em vão no entender de Julian.

O Facebook não foi a única empresa envolvida no caso da Cambridge Analytica e das eleições norte-americanas. No início desta semana, o Twitter revelou à Bloomberg que vendeu uma grande quantidade de dados de utilizadores a Aleksander Kogan, através da Global Science Research (GSR). A empresa liderada por Jack Dorsey disse que a GSR teve acesso a informações públicas e tweets de utilizadores entre Dezembro de 2014 e Abril de 2015, não tendo sido facultados quaisquer dados privados.