A ideia do jovem Boyan Slat que pode deixar os oceanos mais limpos

Um jovem ambicioso holandês de apenas 23 anos criou um conceito capaz de limpar os oceanos. A primeira implementação do sistema será já a meio deste ano num projeto que se antevê longo.

Imagem via Flickr/ Rey Perezoso

Actualmente um dos assuntos mais debatido em todo o mundo, é a questão das alterações climáticas e a maneira de como as nossas atitudes prejudicam o ambiente. Todos os dias, falamos sobre isso mas na realidade preferimos ficar sentados a ver o nosso mundo apodrecer. Felizmente para nós, existem pessoas como Boyan Slat que insistem em divergir deste paradigma.

O projecto de Boyan consiste em criar um tubo flutuante, do tamanho de um estádio de futebol, que funcionará como uma barreira no meio dos oceanos retendo o plástico para que posteriormente este possa ser reciclado. Numa fase embrionária do projeto, Slat percebeu que uma rede não iria funcionar porque iria estar em constante movimento devido às correntes. Ao chegar a essa conclusão, decidiu usá-la como um trunfo e daí surgiu a versão final da sua ideia.

Quem é Boyan Slat e a sua The Ocean Cleanup?

Boyan Slat para além de ter uma mente brilhante distingue-se por ser um ambientalista com apenas 23 anos e estudante de engenharia aeroespacial. Há 6 anos, numa das suas primeiras aparições, fez uma apresentação num TEDx no sul da Holanda, chamando à atenção para o problema onde referiu que para limpar os oceanos ao ritmo actual seria necessário perto de 80 mil anos. A sua intenção, como o próprio afirma, nunca foi trabalhar numa “empresa de partilha de fotos” ou criar uma “start-up na internet”, sempre teve em mente a questão das limpezas dos oceanos, assim em 2013 fundou a sua empresa – The Ocean Cleanup.

Para que o seu sonho se tornasse exequível, foi necessário recorrer a patrocinadores e a crowdfunding, onde conseguiu angariar 2,2 milhões de dólares que ajudaram a financiar o projeto. Na sua empresa trabalham actualmente mais de 70 pessoas, incluindo cientistas, engenheiros, investigadores e programadores para que, em conjunto, trabalhem na melhor solução para livrar o oceano dos resíduos plásticos.

Em Junho de 2014, a sua empresa publicou 528 páginas sobre o potencial da sua ideia e recebeu algumas críticas por partes de oceanógrafos que detectaram alguns erros técnicos. Apesar de surgirem algumas pessoas que achavam que este sistema não seria viável, o holandês continuou a aperfeiçoar e a testar o conceito. Ainda em 2014 recebeu uma distinção do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente conquistando o prémio “Champions of Earth”. No ano seguinte ganhou o prémio de jovem empreendedor do ano e desde então tem continuado o desenvolvimento do seu projecto.

Primeiro lançamento

O projecto vai agora passar do papel para os oceanos. Começará com a instalação de apenas um sistema que se prevê que seja lançado a meio de 2018 e que possa contar com constantes upgrades para que em 2020 atinja a sua máxima força, com todos os sistemas conectados. Boyan estima que em apenas 5 anos vai ser possível retirar metade dos resíduos no Pacífico. No entanto, esta é uma tarefa que se prevê complicada, porque actualmente existem 5 triliões de partículas de plástico nos oceanos.