De bote salva-vidas de refugiados a cruzeiro turístico nos canais Amesterdão

Ao longo das tours os guias apresentam a cidade dando especial enfoque à tradição multi-cultural e à importância dos migrantes naquela que foi a época de ouro da icónica cidade.

Todos já vimos imagens dos salva-vidas, por vezes meio improvisados, em que refugiados se aventuram pelo meio do Mar Mediterrâneo; agora podemos vê-los de perto mesmo que não nos desloquemos até uma zona de chegada de refugiados, para que o assunto não se fique por ali.

O artista holandês de 38 anos Teun Castelein e a sua empresa, Lampedusa Cruises, são os responsáveis por trazer até aos pitorescos canais de Amesterdão os simbólicos barcos salva-vidas, em que centenas de refugiados da Eritreia e Etiópia tentaram chegar a terras italianas.

Os barcos em questão utilizados para os cruzeiros turísticos pelos canais que percorrem toda a cidade foram resgatados ou apreendidos pela polícia italiana, que os manteve ao abandono numa ilha. Ao descobri-los, Teun teve a ideia de os trazer até ao seu país e lhes dar um novo contexto, aproveitando-os como veículo de sensibilização para esta importante causa.

Ao longo das visitas, os guias apresentam a cidade dando especial enfoque à tradição multi-cultural e à importância dos migrantes naquela que foi a época de ouro da icónica cidade, acrescentando força de trabalho e novas habilidades ao mercado.

Os guias também não são holandeses comuns de pele branca e cabelo loiro; para ajudar ao simbolismo, reforçar a mensagem e dar o exemplo de integração, a Lampedusa Cruises deu emprego a refugiados – a Holanda terá recebido cerca de 60 mil desde 2015 – e a tripulação é orgulhosamente composta por elementos do Egipto, Eritrea, Holanda, Síria e Sudão.

Já a frota é constituída um barco egípcio, conhecido por Mr. Friday (a tradução natural do seu nome em árabe, Alhadj Djumaa), um imponente barco onde já viajaram de uma vez 282 refugiados, e uma pequena lancha de nome Hedir (em português: “trovão”, “rugido” ou “mulher poderosa”) sobre a qual não têm grandes informações.

O programa das visitas é fixo e pode ser conhecido no site. Por se tratar de um projecto artístico e não propriamente comercial, todos os colaboradores são voluntários e as viagens não têm preço fixo. Contudo, para ajudar a manter esta ideia à tona qualquer um pode fazer um donativo a partir do site.