Álcool e tabaco são as piores ameaças à saúde humana

Esta drogas, legais na maior parte do mundo, tiraram à população mundial 250 milhões de anos de vida saudável, em 2015.

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Foto de Julian Hochgesang via Unsplash

A canábis e outras drogas são proibidas na maior parte dos países do mundo, apesar da legalização da erva – para fins recreativos ou medicinais – em alguns estados ou da sua descriminalização em Portugal. Entretanto, álcool e tabaco são quase globalmente aceites, representando, assim, a maior ameaça à saúde humana, segundo um relatório estatístico publicado esta semana.

O Global Statistics on Alcohol, Tobacco and Illicit Drug Use: 2017 Status Report, publicado esta sexta-feira na revista Addiction, faz um ponto de situação relativo a todas as drogas – lícitas e ilícitas – que são consumidas pelo mundo fora e concluiu, utilizando dados de 2015, que o álcool e tabaco custaram à globalidade da população mundial 250 milhões de anos de vida saudável, aos quais se juntam mais algumas dezenas de milhões de anos devido a drogas ilícitas.

O estudo mede o impacto do álcool, do tabaco e das outras drogas em anos de vida prejudicados pelo consumo destas substâncias, isto é, anos vivos com cancros, doenças respiratórias ou problemas cardiovasculares, e em anos perdidos por fatalidades como overdoses.

A ameaça do álcool e do tabaco é elevada devido sobretudo à sua prevalência marcadamente mais alta. De todas as substâncias, a que tem um maior peso na saúde humana é o tabaco. Globalmente, um em cada sete adultos fuma tabaco e um em cada cinco adultos relata, pelo menos, um consumo de álcool em grande quantidade no último mês. O relatório indica ainda que a taxa de mortalidade por 100 mil pessoas é três vezes maior para o tabaco (110,7 mortes) do que para o álcool (33), e que as chamadas drogas ilícitas representam apenas 6,9 mortes por 100 mil pessoas.

Quando a erva é legalizada o consumo de álcool diminui, sugere estudo

Bebe-se muito na Europa

Europa Central, Oriental e Ocidental são as regiões do mundo que registam maior consumo de álcool per capital e uma maior percentagem de consumos elevados. Na Europa Ocidental, onde se inclui Portugal, cada indivíduo com mais de 15 anos bebe 11,09 litros de álcool puro por ano. Na Europa Central, esse valor é de 11,61 litros e, na Europa Oriental, de 11,98 litros. Comparando com dados globais, a média anual de consumo de álcool é de 6,42 litros. A prevalência do tabaco entre os europeus é também alta, com 24,2% da população a ser fumadora.

É na África subsariana ocidental que se encontram as taxas mais baixas de tabagismo (apenas 4,7% é fumador), enquanto a África do Norte e o Oriente Médio registam o menor consumo de álcool per capita, com 0,91 litros anuais. Globalmente, as drogas ilícitas são menos comuns: menos de uma em cada 20 pessoas consumiu canábis no último ano e os consumos estimados de anfetaminas, opiáceos e cocaína também são muito baixos.

Contudo, em países como os Estados Unidos e o Canadá a dependência de drogas ilícitas é bastante alta, nomeadamente no que toca a canábis e cocaína, segundo este relatório que usa dados de 2015 de instituições como a OMS e ONU – os dados mais actuais que existem à data.