Ecossistema empreendedor de Lisboa está a crescer mas ainda há muito por fazer

No arranque de mais uma Semana do Empreendedorismo, foi feita uma radiografia do que existe e do que falta fazer.

O pontapé de saída para a 7ª Semana do Empreendedorismo de Lisboa foi dado esta segunda-feira numa cerimónia nos Paços do Concelho. A sessão teve início com o discurso do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Duarte Cordeiro, que lembrou que a capital é reconhecida por ser uma cidade inovadora. Além disso, está a “crescer a um ritmo acelerado” e Lisboa já não está a exportar talento, mas a retê-lo — agora o objectivo passa também pela atração.

Duarte Cordeiro, afirmou ainda que vai existir um fundo de 5 milhões de euros para desenvolver as relações das universidades com o ecossistema empreendedor da cidade. “Queremos desenvolver esta comunidade através do Made Of Lisboa, completou.

Mais empresas criadas que dissolvidas

“Em 2017, nasceram mais de 6300 empresas em Lisboa. Três vezes mais daquelas que morreram”, referiu Duarte Cordeiro na sua apresentação, uma radiografia do ecossistema actual. O número de empresas criadas no ano passado é o valor mais alto da última década e um “acréscimo de 16% face a 2016”, sendo 1/3 destas empresas (2 mil empresas) baseadas em sectores intensivos em conhecimento e tecnologia.

Paulo Carvalho, Director Municipal de Economia e Inovação da CML, na sua apresentação, uma radiografia do ecossistema actual, apresentou o resultado de um inquérito realizado este ano às incubadoras e espaços de cowork da capital. Uma das conclusões refere que existem mais de 2 mil empresas baseadas no sector do conhecimento e da tecnologia, assim como cerca de 500 start-ups residem ou passaram pelo ecossistema empreendedor em incubação em 2018. O responsável revelou ainda os principais temas a que essas empresas se dedicam – blockchain, fintech, gaming e saúde são apenas alguns deles.

Outros dados importantes abordados por Paulo Carvalho foram o facto de, nos últimos três anos, terem passado mais de 1300 empresas pelo ecossistema e de terem sido criados mais de 5 mil empregos pelas start-ups da cidade.

O ecossistema empreendedor de Lisboa tem vindo a crescer a um ritmo acelerado ao longo dos anos, tornando-se mais dinâmico e com uma conectividade internacional ímpar (exemplo do Web Summit). Actualmente conta com 18 incubadoras, mais de 14 programas de aceleração de empresas, 6 fablabs e múltiplos outros espaços para fazedores, ainda e mais de 50 espaços de co-work.

Existem mais de 300 empresas lisboetas registadas na plataforma Crunchbase. Dessas, mais de 60 aumentaram o seu investimento no último ano. Por outro lado, em 2018, registou-se um investimento de 20 milhões, em 2018, e mais de 70 milhões dirigido às 10 principais start-ups, nos últimos anos.

Ilustração de Caroline Vetsmany sobre este evento (via Twitter @caro_scribing)

Os desafios do futuro

O lançamento da 7ª Semana do Empreendedorismo de Lisboa contou com a presença de alguns dos intervenientes do ecossistema em dois painéis. Para o primeiro deles, foram convidados responsáveis por alguns dos eventos que marcam a agenda mediática da capital portuguesa, nomeadamente o Web Summit, o Rock In Rio (que está a alargar a sua marca para além da música), o Landing Festival (nasceu pela mão da start-up Landing.Jobs, é dedicado à comunidade tecnológica e, em 2017, estreou a sua primeira edição em Berlim) e o Lisbon Investment Summit (que procura atrair investidores). Foram unânimes quanto a Lisboa enquanto cidade vibrante e importante para os seus projectos, afirmando querem aproveitar este momento.

No último painel, Stefan Gotthardt, da Volkswagen, comentou o centro de desenvolvimento de software que a fabricante alemã pretende instalar em Lisboa, referindo que é uma cidade que os faz sentir bem-vindos. João Menano, da James, salientou a importância de existir uma estratégia – não basta Lisboa captar empresas estrangeiras, é importante saber que futuro se quer para a cidade, destacando que, por exemplo, existem “bons engenheiros a sair das universidades” mas há falta de executivos com visão de negócio. “Não temos a cultura, nem empresas que nasçam no dia um com o intuito de se tornarem empresas globais”, afirmou João. Uma preocupação na qual Miguel Ribeiro, responsável pela Zomato em Portugal, se reviu, acrescentando também que a oferta de engenheiros já começa a ser escassa.

Para fechar esta cerimónia de abertura, a Secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann, reconheceu que iniciativas como a Semana do Empreendedorismo de Lisboa, dinamizadas pelo próprio ecossistema, são são importantes e que o número de empresas criadas em Lisboa no ano passado mostra a vitalidade da cidade e o seu dinamismo. De acordo com o município, esta semana – 14 a 18 Maio – conta com 30 eventos espalhados por 20 locais e vai envolver mais de 50 parceiros. Estima-se que ao longo da semana tenha estado envolvidos mais de 5 mil participantes. Podes ver o programa do que se passou, aqui.

(conteúdo patrocinado por Made Of Lisboa)