Há um autor português na estante do todo-poderoso Presidente Chinês

Disposto entre clássicos, a obra de Pedro Domingues chamou a atenção e, agora, em entrevista à revista Der Spiegel, o autor partilhou os seus mixed feelings em relação ao acontecimento.

Xi Jinping andou a ler A Revolução do Algoritmo Mestre, livro de Pedro Domingos

Quando te falamos do livro A Revolução do Algoritmo Mestre, referimos na altura que tinha o selo de qualidade de Bill Gates. Agora junta-de mais um nome sonante à lista de referências, ou pelos menos leitores, do trabalho do investigador português Pedro Domingos sobre inteligência artificial: o Presidente chinês, Xi Jinping.

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O insólito – que neste mundo perfeitamente globalizado já nem nos devia surpreender – foi detectado durante uma transmissão da televisão chinês do discurso de Ano Novo de Xi Jinping, tendo como fundo a sua estante. Disposto entre clássicos, a obra de Pedro Domingues chamou a atenção e, agora, em entrevista à revista Der Spiegel, o autor partilhou os seus mixed feelings em relação ao acontecimento.

Para o especialista em inteligência artificial, a constatação é entusiasmante, porque mostra o interesse generalizado no aparelho chinês em avançar a fundo nesta tecnologia — a China tem vindo a revelar planos para apostar em força na AI — mas ao mesmo tempo assustadora, porque, tratando-se de um Governo de conhecidas políticas autoritárias, pode usar as valências da tecnologia para controlar a população.

De resto, é da China que chegam notícias sobre o uso de AI em sistemas de vigilância e de empresas com tecnologia de ponta neste sector, como a SenseTime. Na mesma entrevista, Pedro explicou como a China tem vantagem na corrida pelo desenvolvimento deste sector por ter grandes bases de dados através das quais é possível “ensinar” as máquinas com técnicas de aprendizagem automática. O investigador prevê ainda que o grande investimento em inteligência artificial passe a ser feito por nações, algo que já tinha referido no livro.

Como nota final, Pedro Domingos lembra que, no final de contas, o importante não é o algoritmo, mas sim a forma como é utilizado, alertando para os perigos que um conto do ciberespaço pode causar a nível mundial.

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