O Telegram é realmente diferente… e os stickers também

Encriptação, privacidade e segurança é uma conversa um pouco aborrecida; por isso, talvez os stickers possam convencer-te a olhar para o Telegram.

Com certeza já nos viste a aconselhar-te aplicações de chat encriptadas como o Telegram. Geralmente, nesses momentos, usamos como argumentos ou pretexto os protocolos de segurança inovadores, a encriptação end-to-end (isto é, de um dispositivo para o outro); enfim, as componentes focadas na privacidade e segurança dos dados. Mas a verdade é que o Telegram tem inovado muito para além disso e, hoje em dia, para além de ser uma aplicação segura é, seguramente, uma das mais bem pensadas, melhor desenhadas e mais úteis.

Esquema do protocolo de segurança da aplicação Telegram

Mais do que um simples chat, o Telegram é, tal como o nome indicia, uma aplicação de troca de mensagens multi-funções. Para além das tradicionais mensagens num esquema muito, muito, parecido com o WhatsApp, a app criada pelos irmãos russos Pavel Durov e Nikolai Durov esconde uma parafernália de pequenas funcionalidades que a tornam bem fixe quer para contactar outros, quer para nos organizarmos, numa mistura entre melhoramentos de aspectos que encontramos noutros serviços similares – como a gravação e partilha de pequenos vídeos pressionando um simples botão, a criação de canais onde podemos publicar conteúdo para uma vasta audiência (como se fosse um Twitter ou blogue) ou até mesmo os stickers.

Os stickers do Telegram não são propriamente novidade – foram lançados em 2015 –, mas continuam a ser uma belíssima demonstração da filosofia por trás da aplicação – isto para além de também serem muito mais engraçados do que os do seu concorrente proprietário, o Facebook. Porquê? Porque são livres, inovadores e… abertos, ao contrário do que acontece nas outras redes sociais onde sem nos apercebermos até na “porcaria” dos stickers temos de lidar com mensagens comerciais (yes, Nike, nobody gives a fuck about your commercial stickers anymore). Qualquer um pode criar os seus stickers e disponibilizá-los para toda a audiência do Telegram. E há stickers bem fixes!

O pacote “Great Minds” – uma série de 50 stickers com várias emoções interpretadas por grandes personalidades da história mundial – lançado em 2015 deu o mote para o que viria a ser o lado mais lúdico da revolução proposta pelo Telegram. A ideia neste campo era simples: garantir que todos os stickers são gratuitos e acessíveis a todos e que todos podem, gratuitamente, criar os seus próprios stickers e ainda receber por isso. Assim, nasceu e cresceu um dos catálogos de bonequinhos online mais expressivo e carismático do mundo.

Se expressar emoções através do Tzuki, o Hacker Boy ou os personagens da Kukuxumusu podia parecer uma forma dinâmica de tornar as conversas online diferenciadas, no Telegram a base de criação vai mais longe, por resultar do esforço comunitário e de alguma audácia. Assim, para além de criaturas sem identidade nem personalidade como as do Messenger e outros serviços, é comum encontrar no Telegram réplicas de figuras bem conhecidas, adicionando uma camada de carisma e significado. Mark Lizardberg, uma caricatura réptil do criador do Facebook, ou divertidas representações de outras figuras bem conhecidas do grande público como Steve Jobs, The Dude (de Big Lebowski) ou o realizador italiano Frederico Fellini, são algumas das coleções que podemos usar para exprimir emoções nesta aplicação.

Por se tratar de um portfólio comunitário – e, por isso, em constante actualização – as opções não se ficam por aqui. Qualquer artista pode fazer chegar os seus próprios stickers através de um bo no Telegram aos criadores da app e, assim, constantemente surgem novidades, quase sempre associadas a tendências globais. Se existem as Greats Minds, também já existem as Evil Minds. Se há espaço para Steve Jobs, também o há para Mr. Bean, para os personagens de Game of Thrones, de Friends ou de Harry Potter, para as expressões irónicas de Putin (que, btw, bloqueou a aplicação na Rússia) ou para a extravagância de Rick de Rick & Morty.

Se esta particularidade – e até este artigo – pode parecer fútil, importa assumirmos com alguma humildade a forma como muitas vezes carecemos de alguma futilidade no nosso dia-a-dia. Prova da preponderância desse lado aparentemente mais fútil é o facto de os argumentos sobre a segurança do Telegram serem tão poucos sexies para a maioria das pessoas. Aliás, todo o conceito de privacidade é aborrecido.

Num momento em que o Telegram se vê a braços com uma luta tem território russo, onde as autoridades pretendem bloquear a aplicação, os stickers tornaram-se os símbolos deste movimento, apelidado de #DigitalResistance – neste caso, a coleção escolhida foi a Resistance Dog, com que Pavel Durov tem finalizado algumas mensagens e com que os seus apoiantes têm expresso o seu apoio à equipa responsável pela aplicação.